Visita ao presidente americano produziu o efeito esperado entre apoiadores, porém, não produziu uma repercussão ampla fora do grupo político do senador, mostra levantamento da Arquimedes Flávio Bolsonaro e Donald Trump — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 18:32 Encontro de Flávio Bolsonaro com Trump gera reações diversas online O encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump mobilizou a base bolsonarista, mas teve impacto neutro nas redes sociais, segundo levantamento da Arquimedes. O evento gerou 250 mil publicações, com 46% delas sendo neutras, 29% negativas e 25% positivas. A reunião, realizada na Casa Branca, foi vista como um gesto político significativo para Flávio, em meio a crises internas, reforçando sua imagem ao lado de Trump. Críticas e ironias vieram de opositores, enquanto aliados celebraram a aproximação com o ex-presidente americano. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente americano Donald Trump mobilizou apoiadores bolsonaristas, mas teve o impacto, em sua maioria, neutro na percepção sobre a campanha presidencial do parlamentar nas redes sociais, mostra um levantamento realizado pela consultoria Arquimedes e obtido pelo GLOBO. O encontro foi realizado ontem no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, e foi registrado a partir de uma foto postada nos perfis do senador e replicada por aliados. Segundo dados coletados pela Arquimedes, o encontro mobilizou cerca de 250 mil publicações nas redes sociais até a tarde desta quarta-feira e envolveu aproximadamente 55 mil perfis. Desse total, cerca de 46% das publicações foram neutras, repercutindo a visita em tom informativo ou descritivo, enquanto as citações negativas representaram 29%, refletindo a opinião de parlamentares e aliados governistas. Já as citações positivas somaram 25% e foram referentes a postagens feitas por aliados do senador, muitas em tom de comemoração. Como mostrou o GLOBO, dentro da pré-campanha de Flávio, a avaliação é de que o encontro com Trump ajuda o senador a retornar ao Brasil com um gesto político de impacto após semanas dominadas pela crise envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Aliados do PL avaliam que a imagem ao lado do presidente americano reforça a associação internacional de Flávio ao trumpismo num momento em que setores da direita passaram a discutir alternativas presidenciais ao senador, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Entre as postagens de bolsonaristas, também repercutiu, indica o levantamento da Arquimedes, a informação do pedido feito por Flávio para que Trump classifique as facções criminosas brasileiras como terroristas. Com a postura, o senador busca se diferenciar da adotada pelo governo Lula, acusado por opositores de ser leniente em relação ao tema. — O principal efeito do encontro não está em seus desdobramentos concretos, mas no valor simbólico da imagem. Em meio ao desgaste provocado pelo caso Vorcaro/Banco Master, Flávio consegue se reposicionar diante da própria base como alguém ainda competitivo, respaldado internacionalmente e capaz de seguir no jogo. A reunião também ajuda a deslocar o debate de uma sequência de episódios negativos para uma agenda mais favorável ao bolsonarismo, especialmente no campo da segurança pública — explica Pedro Bruzzi, sócio da Arquimedes. Comemorações bolsonaristas e memes da esquerda Pelo X, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que esteve no encontro ao lado do irmão, ironizou comentários que diziam que a visita não aconteceria por não estar na agenda oficial de Trump. "Aconteceu e foi muito bom", escreveu o ex-parlamentar. Já Paulo Figueiredo, aliado bolsonarista que esteve presente na reunião, disse em uma publicação que o grupo iria "fazer todo o hemisfério grande", em referência ao lema do presidente republicano "Make America Great Again". Também pela rede social, o senador Sergio Moro (PL-RN), pré-candidato ao governo do PR, republicou a foto postada por Flávio junto da legenda "força e prestígio". Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) escreveu que espera que "o faccionado vire terrorista" e que "haja mais investimento tecnológico, acordos comerciais fortes e valorização do agro". "Importante aproximação", acrescentou. "Aconteceu o encontro que a esquerda tentou impedir", escreveu Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), vereador por Balneário Camboriú e também filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Meus irmãos Flávio e Eduardo sentaram com Donald Trump e levaram a verdade do Brasil, sem filtro e sem máscara", disse em um post. Do lado da esquerda, críticas à visita foram proferidas por parlamentares governistas, como o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que escreveu que "os entreguistas servis bolsonáricos conseguiram posar com Trump". "Será que reforçaram um pedido por mais tarifas? Sugeriram de novo bombardeio na Baía de Guanabara? Uma 'forcinha' para a campanha, hoje enferma por vorcarite aguda?", disse na publicação. Já o vice-líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ), publicou uma montagem da foto de Flávio, Eduardo e Paulo Figueiredo e os descreveu como "os três patetas com Trump". O momento também foi ironizado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que também postou uma versão da foto na qual o senador aparece como um garçom que serve o presidente americano. "Alguém sabe me dizer qual foi o cardápio? Teve o Eduardo fritando hambúrguer também ou só quiseram entregar o Brasil de bandeja?", questionou Correia na legenda. Além dele, o pré-candidato a deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ) disse em um post que "Trump não se deu ao trabalho nem de ficar em pé e o 'irmão' do Vorcaro ficou no papel de papagaio de pirata".