O modelo de trabalho se transformou em um dos temas mais debatidos no universo corporativo novamente nas principais redes sociais, visando trabalhar temas corporativos. Assim, empresas flexibilizaram jornadas, adotaram formatos híbridos e passaram a disputar talentos utilizando o home office como diferencial competitivo. Agora, a discussão começa a amadurecer, porque embora a flexibilidade seja relevante, já não aparece sozinha como principal fator de atração profissional. O que os candidatos buscam hoje envolve uma combinação muito mais ampla de fatores ligados à qualidade da experiência de trabalho. Salário competitivo, possibilidade de crescimento, liderança preparada, ambiente saudável, benefícios relevantes e segurança psicológica continuam ocupando posição central na tomada de decisão dos profissionais, inclusive entre aqueles que valorizam o trabalho remoto. O movimento reflete uma mudança importante no comportamento da força de trabalho após anos marcados por burnout, insegurança econômica e transformações aceleradas no mercado. Mais do que flexibilidade, profissionais passaram a buscar estabilidade emocional, clareza de carreira e coerência entre discurso corporativo e realidade organizacional. O resultado é um candidato mais criterioso e menos disposto a aceitar ambientes considerados tóxicos ou pouco sustentáveis no longo prazo. "Existe uma percepção equivocada de que o modelo remoto se tornou o único fator relevante para atração de talentos. Continua importante, mas está longe de ser suficiente sozinho. O profissional avalia uma experiência muito mais completa de trabalho", afirma Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs. Segundo pesquisas globais da Deloitte sobre comportamento profissional, fatores ligados à confiança na liderança, desenvolvimento de carreira e qualidade do ambiente organizacional seguem entre os principais elementos considerados por candidatos ao avaliar uma nova oportunidade. Em muitos casos, profissionais aceitam modelos híbridos ou presenciais desde que exista uma percepção clara de crescimento, equilíbrio e valorização. Ao mesmo tempo, as empresas perceberam que apenas oferecer flexibilidade não resolve problemas estruturais de retenção. Organizações que mantêm lideranças despreparadas, excesso de sobrecarga ou baixa transparência continuam enfrentando turnover elevado mesmo em formatos remotos. O cenário reforçou uma discussão mais profunda sobre cultura organizacional e experiência do colaborador. "A qualidade dos benefícios oferecidos também tornou-se relevante. Planos de saúde mais robustos, apoio psicológico, programas de desenvolvimento, auxílio educação e políticas reais de bem-estar passaram a ter peso maior na decisão dos candidatos. Benefícios considerados desconectados da realidade dos profissionais perderam força diante de um mercado mais racional e atento ao valor percebido das ofertas", explica a Diretora de RH do Infojobs. Patricia destaca que as pessoas passaram a avaliar o pacote completo da relação de trabalho. Não é apenas sobre onde o profissional vai trabalhar, mas sobre como ele será liderado, quais perspectivas terá e qual impacto aquela rotina terá na sua qualidade de vida. A geração mais jovem também contribuiu para ampliar essa mudança de percepção. Profissionais da Geração Z demonstram maior preocupação com saúde mental, alinhamento cultural, propósito e autenticidade das empresas. Em vez de priorizar exclusivamente o status corporativo, muitos candidatos passaram a buscar organizações que demonstrem coerência entre posicionamento institucional e práticas internas. Para a executiva, isso significa que o mercado entrou em uma nova fase de competitividade por talentos. O modelo de trabalho continua relevante, mas deixou de funcionar como solução isolada. Em um ambiente onde profissionais têm mais acesso à informação e maior poder de escolha, empresas que conseguem combinar flexibilidade, liderança saudável, desenvolvimento e reputação tendem a construir vantagem competitiva mais sustentável na atração e retenção de talentos.
O que realmente atrai candidatos hoje vai muito além do modelo de trabalho
Mesmo com o debate entre remoto, híbrido e presencial dominando o mercado, profissionais continuam priorizando fatores como salário, liderança, crescimento e cultura organizacional na decisão final sobre uma vaga













