Lideranças do peronismo, principal movimento de oposição da Argentina, buscam aproveitar a queda de popularidade do presidente Javier Milei para articular a formação de uma ampla aliança tendo em vista a eleição presidencial do próximo ano. Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires e chefe do Partido Justicialista local, afirmou à Reuters que estão em andamento negociações para formar uma coalizão peronista que também poderia incluir políticos de partidos adversários de Milei. Apesar de ter conseguido reduzir a inflação elevada, o presidente argentino implementou duras medidas de austeridade. A derrota da oposição peronista nas eleições legislativas de outubro — nas quais os eleitores deram a Milei respaldo para avançar com uma ambiciosa reformulação econômica — expôs as fragilidades do movimento fragmentado e de suas lideranças rivais, levantando dúvidas sobre como o grupo tentará voltar ao poder. Milei afirmou que pretende disputar um segundo mandato. A oposição ainda não anunciou candidatos, mas possíveis nomes incluem Kicillof e Sergio Massa, ex-ministro da Economia ligado ao peronismo que perdeu a eleição presidencial para Milei em 2023. FOTO DE ARQUIVO: O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, participa de uma missa celebrada por Dom Marcelo Colombo, arcebispo de Mendoza, em homenagem ao falecido Papa Francisco no primeiro aniversário de sua morte, em Luján, Argentina, em 21 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Pedro Lazaro Fernandez Milei enfrenta disputa difícil Algumas pesquisas mostram Milei correndo risco de perder uma eventual disputa pela reeleição. Segundo levantamento de maio da consultoria Opina Argentina, o partido de Milei, La Libertad Avanza, e o campo peronista aparecem tecnicamente empatados. Já o instituto Trespuntozero mostra 42% dos eleitores dizendo que certamente ou possivelmente votariam em Kicillof, contra 34% para Milei. O peronismo é fortemente associado à ex-presidente Cristina Kirchner, atualmente líder da oposição e que cumpre pena de seis anos de prisão domiciliar em Buenos Aires por corrupção. Durante seus governos, os elevados gastos públicos foram responsabilizados pela disparada da inflação, que piorou sob a presidência de Alberto Fernández, quando ela era vice-presidente. Segundo a Opina Argentina, 39% dos eleitores têm uma imagem positiva de Milei. A aprovação do presidente, que superava 53% há mais de um ano, foi afetada por escândalos de corrupção no governo e pela perda do poder de compra da população frente à inflação. Poucos pontos acima dele aparece Kicillof, com 43%. Massa tem 33%. As negociações para uma coalizão peronista podem ser dificultadas por tensões entre alas que vão da centro-esquerda à centro-direita. Mas o desejo de derrotar Milei pode “funcionar como incentivo para que todos os atores deixem de lado parte de seus interesses e se unam em uma coalizão”, afirmou Facundo Nejamkis, da Opina Argentina. A campanha para a eleição presidencial de outubro de 2027 deve ganhar força em agosto, após a Copa do Mundo e as férias de inverno no país.
Peronistas buscam ampla aliança na Argentina enquanto Milei perde apoio
Eleição presidencial do próximo ano está no foco da formação de coalizão; Sérgio Massa e Axel Kicillof estão entre nomes cotados para disputar pleito com atual presidente do país










