Segundo fontes da Polícia Federal (PF) ouvidas pelo g1, a expectativa inicial era de que ele fosse entregue às autoridades brasileiras ainda nesta terça, mas a operação deve ocorrer apenas na quarta-feira (27). O vice-ministro da Defesa da Bolívia, Ernesto Justiniano, disse que os bloqueios e episódios de violência registrados no país têm dificultado ações de combate ao narcotráfico e colocado em risco operações policiais em regiões consideradas estratégicas. “Neste momento, lamentavelmente, estamos com condições de bloqueio e violência em algumas partes, e este caos beneficia realmente o narcotráfico, porque impede ter uma presença do Estado em pontos centrais", destacou o vice-ministro da Bolívia. Operação tenta trazer Palermo ao Brasil Gerson Palermo foi preso na Bolívia após ficar seis anos foragido. — Foto: Reprodução Gerson Palermo foi preso durante a manhã em uma ação conjunta entre autoridades bolivianas e brasileiras. Conforme apurado pelo g1, a primeira estratégia previa que ele fosse levado por terra até Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia. Ao longo do dia, porém, as forças de segurança passaram a negociar um traslado aéreo. O deslocamento terrestre foi descartado devido ao risco de bloqueios e manifestações interromperem a operação. Palermo permanece na sede da Interpol em Santa Cruz de La Sierra. A expectativa é que ele seja levado ao Brasil de avião e encaminhado ao sistema penitenciário federal. Protestos na Bolívia Manifestantes estão pedindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz — Foto: Reuters O Brasil anunciou na segunda-feira (25) que vai enviar ajuda humanitária à Bolívia, que vem enfrentando ondas de protestos contra o governo. O anúncio foi feito após uma conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz, da Bolívia. As ondas de protestos e bloqueios de estradas já duram quase um mês e vêm causando desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos no país. "O presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito", disse a Presidência do Brasil em comunicado após a conversa. O pedido por ajuda humanitária foi feito a Lula pelo presidente boliviano, que é conservador cristão de centro-direita. Os protestos contra o governo de Paz estão sendo liderados por setores do sindicato Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente de esquerda Evo Morales, que rejeitou os pedidos do governo por diálogo. Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do PCC, foi preso nesta terça-feira (26) na Bolívia, após ficar seis anos foragido. A prisão ocorreu em uma ação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e a polícia boliviana especializada no combate ao narcotráfico. Condenado a quase 126 anos de prisão, Palermo fugiu em abril de 2020, após conseguir um habeas corpus durante um plantão judicial em Mato Grosso do Sul. A decisão, assinada pelo então desembargador Divoncir Maran, autorizou que ele deixasse o presídio de segurança máxima em Campo Grande para cumprir prisão domiciliar. Cerca de cinco horas após ser solto, rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu. Infográfico - local onde Gerson Palermo foi preso, na Bolíva — Foto: g1 MS Histórico criminal Chefe do PCC solto por desembargador de MS é preso na Bolívia A aeronave foi forçada a pousar em Porecatu, no norte do Paraná. No local, a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Pelo crime, Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão. Segundo a investigação, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS) e depois era levada em caminhões para outros estados. A operação ocorreu em seis estados e apreendeu 810 quilos da droga. Pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico, Palermo foi condenado a mais 59 anos de prisão. Ao todo, as penas somam quase 126 anos.