O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (26), em Manaus, que a reconstrução da BR-319 deverá seguir critérios rigorosos de preservação ambiental. A declaração foi feita durante a entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, no bairro Tarumã-Açu, Zona Oeste da capital. Assista acima. A BR-319 liga Manaus a Porto Velho e enfrenta há décadas problemas de trafegabilidade, principalmente durante o período chuvoso. A recuperação da estrada é defendida por setores políticos e econômicos do Amazonas, mas também enfrenta questionamentos de ambientalistas sobre os impactos ambientais na floresta amazônica. Durante o discurso, o presidente disse que o projeto vem sendo discutido há meses pelo governo federal devido à sensibilidade ambiental da região amazônica. "Ela não é uma estrada qualquer. Está situada em um lugar muito sensível da Amazônia. Para autorizar essa estrada, nós estamos discutindo há meses qual é o sistema de segurança ambiental mais seguro", afirmou. Segundo Lula, a proposta prevê ações conjuntas entre órgãos federais, estaduais e forças de segurança para evitar o avanço do desmatamento ilegal ao longo da rodovia. Lula e Senador Eduardo Braga (MDB) durante entrega de apartamentos do 'Minha Casa, Minha Vida' em Manaus — Foto: Patrick Marques/g1 AM "O que a gente não quer é que as pessoas, sem nenhum critério, desmatem a floresta para ganhar dinheiro vendendo madeira, sem levar em conta o prejuízo que isso pode causar ao meio ambiente", disse. O presidente afirmou ainda que a BR-319 poderá se tornar referência internacional em obras com controle ambiental. "Talvez seja a estrada feita com o maior cuidado ambiental de qualquer país do mundo. Será uma estrada modelo de qualidade e preservação ambiental", declarou. Lula também deve visitar um trecho da rodovia ainda nesta terça, acompanhado de ministros e autoridades federais. Licitações para obras no 'trecho do meio' foram retomadas BR-319 — Foto: Foto: Reprodução/Rede Amazônica A entidade argumentou que os serviços previstos caracterizam reconstrução e pavimentação da rodovia, o que exigiria estudos de impacto ambiental. Segundo a decisão, a paralisação poderia comprometer a execução das obras durante a chamada "janela hidrológica" de 2026, período de estiagem considerado ideal para os serviços. Os editais preveem obras em quatro trechos da BR-319, entre os quilômetros 250 e 590 da rodovia, além da construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu. O investimento total previsto é de R$ 678 milhões, com prazo de execução de três anos.