A escassez de mão-de-obra é um problema transversal à economia portuguesa que tenderá a agravar-se com o envelhecimento da população. Mas a resposta não está apenas na entrada de imigrantes no país. Um relatório do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Protecção Social (Colabor), divulgado nesta terça-feira, mostra que é preciso ir mais longe e, além de medidas para a integração dos trabalhadores estrangeiros, é preciso apostar no ensino profissional e técnico, criar programas de formação nas áreas da transição digital e verde e dar escala ao tecido empresarial nacional.“O problema de escassez de mão-de-obra não é um assunto isolado”, conclui-se no estudo feito em parceria com a Sonae (grupo dono do PÚBLICO), Mota-Engil, DST e a Confederação Empresarial da Região do Minho e com a colaboração de várias empresas. Pelo contrário, ele “decorre de vários factores, pelo que a sua solução passa pela definição e resolução de outros problemas”.O documento começa por identificar “dificuldades persistentes na criação e retenção de emprego qualificado”, um “desajustamento entre oferta e procura de competências”, uma “subutilização da população activa potencial”; problemas nos processos de regularização e integração de imigrantes e no reconhecimento das suas qualificações, assim como a “manutenção de um padrão produtivo assente em baixos níveis de produtividade e de salários”.Para atacar estes problemas, o relatório coordenado pelos investigadores do Colabor, Jorge Caleiras e Ana Teixeira, deixa um conjunto de recomendações de políticas públicas e de estratégias empresarias, naquilo que classifica como uma “abordagem integrada” e que depende da articulação do Governo, dos organismos públicos, dos parceiros sociais e das empresas.A primeira recomendação passa pela valorização do ensino profissional, com o foco nos sectores com escassez de profissionais e inspirado no modelo de formação dual da Alemanha e da Áustria (complementaridade entre formação teórica e prática em contexto real de trabalho).Ainda neste campo, o estudo aponta para a necessidade de dar continuidade aos programas de formação para a transição digital e verde, ajustados aos grupos de trabalhadores mais vulneráveis, nomeadamente jovens e pessoas mais velhas.Outra das recomendações passa pela criação de um programa de integração para imigrantes e suas famílias, providenciando serviços gratuitos que passam pelo ensino da língua e cultura portuguesas ou pela análise e apoio ao reconhecimento de habilitações e certificações profissionais. Recomenda-se ainda que estes programas ocorram na fase inicial da chegada (nos primeiros cinco anos) e envolvam autarquias e associações.Para responder à falta de escala das empresas portuguesas e à necessidade de de reconverter a estrutura produtiva para sectores de valor acrescentado, os autores do estudo inspiram-se num programa alemão que reúne governo, empresas, sindicatos e centros de investigação para facilitar transferência de conhecimento e inovação tecnológica, em particular nas pequenas e médias empresas.“Para reduzir as dificuldades de recrutamento e os desajustamentos formativos, melhorar as qualificações e oportunidades dos trabalhadores, garantir uma força de trabalho suficiente e diversificada, e assegurar condições sustentáveis para empregos de qualidade, é essencial continuar a investir na qualificação e reconversão da força de trabalho, enfrentar o envelhecimento demográfico através de políticas de retenção e atracção de trabalhadores — nacionais e estrangeiros —, bem como elevar a produtividade e os salários, quebrando o ciclo de baixos rendimentos”, resumem os autores do estudo.
Imigrantes e formação são chave para resolver escassez de mão-de-obra, conclui relatório
Relatório do Colabor conclui que “problema de escassez de mão-de-obra não é um assunto isolado”. Resposta está na integração de imigrantes e na formação profissional.












