Apesar de ter atingido, em 2024, o menor número da série histórica, a redução dos homicídios de mulheres foi puxada pela queda dos crimes cometidos fora do ambiente doméstico, segundo o Atlas da Violência. A taxa de mulheres assassinadas dentro de casa, utilizada como uma medida indireta para o feminicídio, se manteve praticamente estável desde 2014. O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, ou 4,9 homicídios por hora, o menor patamar em 11 anos, de acordo com a pesquisa, divulgada nesta terça-feira (26) hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No período, foram registrados 3.642 homicídios de mulheres, uma queda de 6,7% ante 2023. O número absoluto de mulheres mortas dentro de casa em 2024 (1.282), no entanto, é praticamente idêntico ao registrado em 2014 (1.282), início da série histórica. Os números são um compilado das estatísticas do Sistema de Informações sobre Mortalidade (Sim), do Ministério da Saúde. A taxa por 100 mil mulheres assassinadas em casa recuou levemente de 1,25 para 1,18 no período, uma variação inferior à queda de 37,5% observada nos crimes fora de casa (de 3,47 por 100 mil mulheres em 2014 para 2,17 em 2024). “A gente sabe a partir de evidências internacionais que quando uma pessoa morre dentro de casa, o perpetrador, em mais de 90% das vezes, é conhecido íntimo, parente ou cônjuge das vítimas. Então, uma mulher que morre dentro de casa está dentro desse cenário do feminicídio”, explica Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e coordenador do Atlas da Violência. As mulheres negras, soma de pretas e pardas, são as principais vítimas da violência letal no país. Elas representaram 67,5% do total de vítimas, ou 2.457, em 2024, o que representa uma taxa de 4 mulheres negras mortas a cada 100 mil mulheres. Apesar de ter atingido o menor índice dos últimos 11 anos, a taxa de mortalidade entre mulheres negras foi 66,7% superior à de mulheres não negras. Violência entre quatro paredes Em 2024, o Brasil registrou 293.842 casos de mulheres vítimas de violência não letal. Os dados analisados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde. Desse total, 64% das agressões foram praticadas por familiares ou parceiros das vítimas, e 79,9% dos casos ocorreram dentro de casa. Os dados também apontam para um alto grau de reincidência, com 66,2% das mulheres atendidas pela rede de saúde relatando episódios de violência anteriores. Em relação ao perfil das vítimas de violência doméstica, os dados apontam que meninas de 0 a 9 anos representam 16,7% das vítimas. A segunda maior concentração de casos desloca-se para mulheres de 25 a 29 anos. O terceiro grupo etário mais representado são mulheres de 30 a 34 anos, que são 10,1% das vítimas. De acordo com os pesquisadores, esse padrão pode estar associado a diferentes fatores, como a maior exposição a relações afetivas e familiares nas idades mais jovens, além de barreiras à identificação e notificação da violência entre mulheres mais velhas.
Quase 80% dos casos de violência contra mulher acontecem dentro de casa
Número absoluto de mulheres mortas dentro de casa em 2024 (1.282) é praticamente idêntico ao registrado em 2014 (1.282), início da série histórica











