Ainda abalada, a artista classificou o episódio como um ato de “violência e desrespeito”, não apenas contra seu trabalho, mas também contra pesquisadores e colaboradores envolvidos no projeto Exposição anulada — Foto: Reprodução/ Instagram A exposição “Pequena enciclopédia sociopolítica ilustrada do Brasil contemporâneo”, da artista plástica Andrea Einchenberg, foi cancelada na véspera de sua abertura na unidade de Botafogo da Aliança Francesa, no Rio. A mostra, de cunho político, reúne fotografias de objetos, gestos e símbolos brasileiros — como coxinha e a camisa da seleção — que ganharam conotações políticas nos últimos anos, acompanhadas de textos que propõem uma leitura crítica da história recente do país. “Estava tudo explicado no projeto enviado à Aliança há mais de um ano. Era um conjunto de imagens acompanhado de textos que abordavam a vida sociopolítica brasileira no período de 2013 a 2023. Pelo visto, não leram o projeto”, diz a artista plástica. Prevista para inaugurar em 14 de maio de 2026, a exposição seguiria depois em circulação por outras unidades da Aliança Francesa no Brasil, com apoio da Embaixada da França no Brasil, da Air France e do centro de arte Diaphane. Segundo relato da artista, o cancelamento foi comunicado na véspera, após sua chegada ao Rio. Em mensagem enviada pela diretoria, a instituição alegou que algumas obras apresentavam “posicionamentos políticos explícitos sobre a vida política brasileira" e menção a figuras públicas, o que contrariaria a política de neutralidade da entidade. Ela diz que tentou negociar uma alternativa, como a inclusão de um aviso ao público atribuindo a responsabilidade do conteúdo à artista, mas não houve acordo. Na manhã da abertura, a galeria foi desmontada: obras retiradas, materiais descartados e o cartaz do evento coberto por um “X” com a palavra “cancelado”. A mostra tinha curadoria de Emmanuelle Halkin e previa ainda atividades paralelas, como debate, numa parceria com a Escola de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e visita guiada com alunos. Ainda abalada, a artista classificou o episódio como um ato de “violência e desrespeito”. "O choque foi tão grande que não consegui reagir prontamente. Levei alguns dias para me reerguer. Estou ainda tentando digerir o que aconteceu".