Sessão teve atraso de mais de 2h, tentativa de destituição da defesa, 23 pedidos rejeitados e novas acusações feitas pelo pai de Henry; nesta terça, começam os depoimentos das testemunhas de acusação. Visão da platéia dentro do II Tribunal do Júri, no Tribunal de Justiça do Rio: Jairinho e Monique com seus advogados, próximos aos assistentes de acusação — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 23:03 Julgamento de Dr. Jairinho e Monique começa com atrasos e manobras O julgamento de Dr. Jairinho e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, começou com atrasos e manobras da defesa, incluindo a destituição e reposição de advogados. Após uma sessão de oito horas, o júri foi suspenso sem depoimentos de testemunhas. O pai de Henry trouxe novas acusações contra Jairinho. A audiência será retomada nesta terça com depoimentos de quatro testemunhas de acusação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Marcado por manobras da defesa, troca de advogados e uma sequência de pedidos negados pela Justiça, o primeiro dia do julgamento de Dr. Jairinho e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel terminou sem o depoimento de nenhuma testemunha. Após mais de oito horas de sessão no 2º Tribunal do Júri da Capital, a juíza Elizabeth Machado Louro suspendeu os trabalhos no fim da tarde de segunda-feira. O júri será retomado na manhã desta terça, às 9h, quando devem começar os depoimentos de quatro testemunhas de acusação, entre elas dois delegados, um perito e um médico-legista. Henry morreu aos 4 anos, em 8 de março de 2021, com múltiplas lesões internas e hemorragia seguidas de parada cardiorrespiratória. Apontado como autor das agressões que levaram à morte do menino, o ex-vereador e então padrasto do menino, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, responde por homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Já Monique é acusada de homicídio qualificado por omissão, tortura e coação no curso do processo. Como foi o primeiro dia de julgamento Início conturbado e formação do júri Previsto para as 9h, o julgamento começou com duas horas de atraso e foi protelado ainda mais após Jairinho destituir seus advogados. Após o chefe da equipe, Fabiano Lopes, ter sofrido um infarto no fim de semana e estar impossibilitado de participar, ele argumentou que sua defesa ficaria comprometida. Em seguida, quando o Ministério Público pediu sua transferência de uma casa de custódia em Bangu 8 para a penitenciária Bangu 1, ele voltou atrás, constituiu a equipe novamente e o julgamento foi iniciado. Depois dos impasses iniciais, a juíza Elizabeth Machado Louro deu início à sessão por volta de 12h40. Dez minutos antes, a magistrada fez o sorteio para formar o Conselho de Sentença. A equipe de jurados foi formada por cinco homens e duas mulheres. Em março, o conselho era formado seis mulheres e um homem. A juíza fez a leitura da denúncia e depois interrompeu a sessão para o almoço. Por volta das 14h50 o julgamento foi retomado. Filho de Jairinho na defesa Ao recuar da decisão de destituir integralmente sua equipe de defesa, Jairinho reconstituiu parte dos advogados que atuavam em sua representação no caso Henry Borel. Além disso, o réu informou à Justiça que pretende designar o próprio filho, Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos, de 28 anos, que é advogado, para ficar à frente da sua defesa. Em entrevista ao blog True Crime do Globo, em junho de 2024, Luís Fernando afirmou acreditar na inocência do pai: “Eu já perguntei a ele olhando nos olhos: 'Pai, você teve alguma participação na morte desse menino?' Chorando, ele disse que não e eu acreditei”. Formado em Direito pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Luís Fernando estava no penúltimo ano do curso quando o pai foi acusado de assassinato e preso. Em 2022, quando se formou, ele passou a se dedicar exclusivamente à defesa do pai. Em sua tese, ele garante que nem Jairinho, nem Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, mataram o menino, como sustenta o Ministério Público na denúncia contra o ex-casal: “Henry foi vítima de erro médico. O ideal seria que as defesas de Monique e do meu pai fossem unificadas e os dois acusassem o hospital. Assim, teriam mais chances de serem inocentados”, especula. Leniel apresenta nova denúncia contra Jairinho O pai de Henry Borel, Leniel Borel de Almeida Junior, afirmou, nesta segunda-feira, que pretende apresentar aos jurados informações sobre um suposto episódio envolvendo outra criança que, segundo ele, não teria sido investigado nem divulgado anteriormente. Sem apresentar detalhes sobre o caso, Leniel afirmou que aguardou anos para abordar o assunto durante o julgamento e sustentou que a informação fará parte dos elementos que serão levados ao conhecimento dos jurados. — Vocês sabiam que tem mais um outro caso que não apareceu, que não foi investigado, que o Jairo queimou uma menina e a mãe não falou? Mas eu aguardei cinco anos para estar aqui. Eu aguardei cinco anos segurando a estratégia porque eu não poderia falar — declarou. Segundo Leniel, a assistência de acusação pretende utilizar o júri para expor fatos que, de acordo com ele, ajudam a traçar o perfil do ex-vereador e sua relação com crianças. Negativa de 23 requerimentos e suspensão A juíza Elizabeth Machado Louro interrompeu o julgamento por volta das 17h desta segunda-feira. A suspensão aconteceu depois que a magistrada negou mais 23 requerimentos da defesa de Jairinho para anular parcial ou integralmente o julgamento da morte do menino Henry. Na volta da sessão após o almoço, os advogados do ex-vereador Jairinho passaram cerca de 1h30 apresentando os pedidos, que foram mais uma tentativa dos advogados para tentar protelar o processo. O júri foi suspenso sem que nenhuma das testemunhas tenha sido ouvida. Defesa de Jairinho nega intenção de adiar julgamento Questionado na saída do plenário, um dos advogados de Jairinho, Rodrigo Faucz Pereira e Silva, negou que os requerimentos de nulidade tivessem a intenção de protelar o julgamento. — Não existe protelar quando alguém está preso. Existe protelar quando alguém está solto. A partir do momento que ele está preso, obviamente que não existe interesse em demorar para que aconteça o julgamento. A única coisa pela qual estamos insistindo é que seja um julgamento justo. Não é porque é o Jairinho que vão passar por cima — afirmou.