Investimentos offshore somaram US$ 58,8bilhões em 2025; plataformas e bancos focam em clientes com rendas variadas Marcela Rocha, CIO da Avenue, afirma que perfil das operações vem mudando — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 16:06 Investimentos Offshore no Brasil Crescem e Alcançam US$ 58,8 Bi em 2025 Os investimentos offshore brasileiros atingiram US$ 58,8 bilhões em 2025, impulsionados por plataformas e bancos que visam clientes de diversas faixas de renda. Apesar desse crescimento, apenas 2% do patrimônio pessoal está no exterior, evidenciando um forte home bias. Especialistas como William Eid e Marcela Rocha destacam a importância da educação financeira e da diversificação regional. Bancos como BB e Bradesco ampliam acesso ao mercado externo, criando novas oportunidades para investidores de diferentes perfis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O brasileiro nunca investiu tanto no exterior. Dados do Banco Central (BC) mostram que, em 2025, os investimentos offshore somaram US$ 58,8 bilhões, o maior volume anual já registrado. Por outro lado, a estimativa é de que apenas 2% do patrimônio da pessoa física esteja alocado no exterior. As iniciativas para mudar o home bias do brasileiro (viés de investimento local) são muitas e começam a ganhar reforço dos bancos, o que pode acelerar o passo. A porta de entrada para o brasileiro médio é o mercado americano, pelo tamanho e diversidade, concentrando a maior parte das iniciativas. O pesquisador do Centro de Estudos em Finanças da FGV EAESP William Eid lembra que o surgimento de plataformas que dão acesso ao exterior a um custo menor ajuda, mas não resolve o home bias elevado. — O acesso, antes restrito a grandes investidores, começou a mudar. A tecnologia reduz o custo, mas o desconhecimento sobre a relevância de diversificar regionalmente permanece — explica William Eid. Eid acrescenta que todos, em maior ou menor grau, deveriam ter parte dos investimentos em dólar para proteger o poder aquisitivo: — É importante que os grandes bancos participem do jogo, facilitem o caminho, o que por muito tempo não foi interesse das casas. Trabalho educativo A necessidade de um trabalho educativo para elevar o investimento offshore do brasileiro é ponto comum dos discursos. — Todo o material precisa ser em português para que entendam a regulação, como serão tributados e o passo a passo para abrir uma conta no exterior — explica Marcela Rocha, CIO da Avenue, plataforma reconhecida por iniciar o movimento e democratizar o acesso ao exterior. Segundo a CIO, o tíquete médio das operações vem caindo, o que demonstra a ampliação do acesso: — O perfil das operações vem mudando. Antes, era algo tático, aproveitando o nível do câmbio ou oportunidade em uma ação específica. Agora, vemos um investidor mais qualificado, estratégico e diversificado. A CIO da Avenue vê como muito positivo iniciativas dos bancos para facilitar investimento offshore: —Isto é importante porque o brasileiro ainda acha que é difícil ter conta fora, fica inseguro. Na Avenue, abre a conta hoje, o câmbio é feito no dia seguinte e ele começa a investir. Os serviços incluem assessoria de investimento, montagem e acompanhamento das carteiras, além de orientações sobre tributação e declaração de IR. Nos bancos, o movimento de facilitar ao investidor médio acesso a ativos no exterior é algo que está em curso. — A diversificação global hoje é uma conversa que chega a locais que antes não chegava, não está mais restrito aos “ultra-high”. O investimento offshore está na base dos Private, no segmento Estilo — comenta Diogo Rosostolato, CEO da BB Securities, subsidiária do Banco do Brasil. — Eles já acessam investimentos nos Estados Unidos e preparamos novidades para o segundo semestre. A BB Securities terá dois novos modelos de atendimento para o investidor atuar no mercado americano. No primeiro, para quem tem entre US$ 100 mil e US$ 500 mil, parte do atendimento será humanizado e com acesso a portfólios modelos para diferentes perfis de risco. A outra estratégia é o desenvolvimento de um home broker internacional para clientes a partir de US$ 1 mil, no modelo de autoatendimento. A plataforma foca no segmento Estilo Investidor, a partir de R$ 500 mil, e no High Estilo, de R$ 1 milhão. — Terá acesso ao mercado de ações, bonds, fundos de investimentos e poderá montar uma carteira offshore — comenta o CEO. Rosostolato também defende a importância de os bancos ampliarem o acesso offshore, reduzindo valores e dando suporte. — Todos nós somos concorrentes (bancos x plataformas), mas no final do dia esse é um mercado ainda pouco explorado. Tem espaço para todo mundo crescer. Sobre a importância de ter parte dos recursos no exterior, Rosostolato lembra que o mercado americano tem oportunidades únicas: — O brasileiro pode comprar BDRs de empresas americanas na B3, mas não captura 100% do ativo. Aqui tem menos liquidez, fator que dita preço. Como parte dos esforços do BB, a casa pretende fazer um De/Para com orientações sobre tributação e declaração de IR. Mudança na pandemia No Bradesco, explica a CIO do banco, Juliana Laham, ampliar o acesso passa pelo Bradesco Bank e pelo novo segmento de cliente, o Principal — intermediário entre o Prime e o Private. — O home bias ainda é alto, mas começou a mudar a chave na pandemia, quando o juro caiu a 2% e o mercado internacional chamou a atenção — afirma Juliana. O Principal foca em clientes com renda a partir de R$ 25 mil e investimentos de R$ 300 mil. O Bradesco Bank nasceu após a aquisição do BAC Flórida (2019). O banco informa que não há valor mínimo para abrir uma conta no Bradesco Bank, em Miami — os investimentos começam a partir de US$ 100. A CIO do banco também exalta a necessidade de o brasileiro entender as diferenças entre o mercado brasileiro e o americano, maior e mais diverso: — O grande desafio para ampliar o acesso é educacional, criar disciplina de investimento e cultura de portfólio diversificado, que inclui exposição a outra moeda e país. Será um processo de ganha-ganha para todos.
Especialistas veem maior facilidade para investir no exterior e 'investidor mais qualificado e diversificado'
Investimentos offshore somaram US$ 58,8bilhões em 2025; plataformas e bancos focam em clientes com rendas variadas














