Brasil ganha prazo para negociar com os EUA após investigação americana que pode resultar em novas taxas sobre importações Unidade de processamento de etanol da Raízen S.A. em Piracicaba — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 11:39 Brasil e EUA em Disputa Comercial por Tarifas sobre Etanol O etanol brasileiro está no centro de uma disputa comercial entre Brasil e EUA, após investigação americana que pode resultar em novas tarifas sobre importações. Em pauta, a tarifa brasileira de 18% sobre o etanol importado. Negociações avançam com prazo de 30 dias para propostas, enquanto o Brasil busca defender seus interesses, em meio a uma expansão de usinas de etanol de milho e um mercado em transformação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O etanol brasileiro está entre os itens da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, já que a investigação aberta em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial americano incluiu a revisão da tarifa de 18% imposta pelo Brasil para importação do combustível. A questão fez parte da pauta do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, no início de maio. O governo americano alega que a taxação configura prática comercial desleal, uma vez que o etanol brasileiro paga 2,5% para entrar nos EUA, o que gerou na ocasião expectativas de novo tarifaço caso o Brasil mantivesse sua posição. O governo brasileiro discorda e defendeu, durante a reunião, o encerramento da apuração aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA — que permite ao governo americano aplicar tarifas adicionais sobre importações — e que inclui, além do etanol, Pix, desmatamento e propriedade intelectual. Diante do impasse, ficou acertado que equipes de ambos os países trabalharão por 30 dias para avançar nas negociações sobre tarifas. No fim do prazo, a proposta será apresentada aos presidentes. Com isso, o governo brasileiro ganha tempo, uma vez que a investigação americana terminará em julho, com possibilidades de resultar em novo aumento de taxas por parte do governo dos EUA. — A ideia do grupo de trabalho bilateral é bem interessante porque conseguiremos nos reunir com os pares americanos. Acredito que a diplomacia corporativa vai prevalecer, porque encontra pontos de convergência nas relações comerciais e os números do setor produtivo — diz Patrícia Arantes, diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira. As relações comerciais foram afetadas no ano passado, quando os EUA aplicaram tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras. Parte foi retirada após decisão da Suprema Corte dos EUA, mas permanece em vigor, até julho, tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Poucos impactos Apesar do impasse, o Brasil revisou regras que agradaram aos americanos, permitindo a inclusão do etanol importado no programa RenovaBio sem necessidade de intermediário nacional. A Copersucar recebeu a primeira aprovação da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para importar etanol anidro da americana Plymouth Energy LLC, que dá acesso à venda de créditos de descarbonização emitidos por produtores de combustíveis renováveis. A mudança, segundo fontes do setor, não terá impactos expressivos sobre o mercado, sobretudo devido ao baixo volume de importação de etanol no país. Além disso, é grande atualmente a oferta de CBIO (crédito de descarbonização recebido pelas usinas certificadas pela ANP) no mercado, levando a uma baixa de preços. A questão tarifária, segundo Arantes, vem em um momento de investimentos elevados da indústria de etanol de milho no Brasil. — Se a tarifa de importação brasileira fosse retirada, haveria excedente de milho no Brasil, o que poderia causar um desgaste financeiro grande para os produtores nacionais. Já nos EUA isso não aconteceria. O impasse ocorre em meio à expansão das usinas de processamento de etanol de milho no Brasil, principalmente nos estados do Centro-Oeste, ampliando a capacidade de exportação nacional. — Nos tornamos o principal competidor dos Estados Unidos, o que gera dificuldades comerciais — diz. O cenário do mercado de etanol mudou em relação ao de 2025, mas a posição da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia é a mesma do ano passado, quando a entidade manifestou “confiança na atuação do governo brasileiro na defesa dos interesses estratégicos do país, em especial no campo dos biocombustíveis”. Hoje, o Brasil convive com balanço confortável entre oferta e demanda, ao contrário do ocorrido na virada de 2025 e 2026, quando houve aperto de estoque de etanol, por conta de uma safra de açúcar mais forte no Brasil e do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%. Série histórica Diante disso, apesar da tarifa de 18%, o Brasil importou cerca de 247 milhões de litros de etanol de milho dos EUA entre janeiro e abril de 2026, alta de 350% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas o comportamento ao longo de 2026 deverá ser outro. A expansão em curso no Nordeste elevou a capacidade de produção. A safra 2025/26 de cana-de-açúcar, encerrada em março, registrou sua maior produção de etanol da série histórica: 37,5 bilhões de litros, 0,8% acima da safra anterior. A alta é influenciada pela maior produção, que cresceu 29,8% na comparação com a safra 2024/25, chegando a 10,17 bilhões de litros.
Possível revisão de tarifa brasileira: Etanol entra na disputa comercial entre Brasil e EUA
Brasil ganha prazo para negociar com os EUA após investigação americana que pode resultar em novas taxas sobre importações










