O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirmou nesta segunda-feira, 25 de Maio, que uma cidadã portuguesa, que participa numa caravana humanitária com destino à Faixa de Gaza, está detida em Bengasi, na Líbia."A cidadã nacional não terá sido autorizada a passar a fronteira com o Egipto num dos pontos de verificação no território da Líbia, que, por motivos de segurança, só permite a passagem de cidadãos egípcios e líbios", lê-se num comunicado enviado às redacções pelo MNE.Segundo o Ministério tutelado por Paulo Rangel, os activistas "serão presentes a tribunal, que deverá determinar a sua expulsão do território". A data da ida a tribunal não é ainda conhecida.A cidadã nacional, identificada por grupos de activistas portugueses como Ana Margarida Baptista, estará detida desde 18 de Maio, data em que a Global Sumud Land Convoy, da qual faziam parte 71 pessoas, foi travada pelas autoridades líbias. O grupo está incontactável desde domingo.Apesar de o chefe da diplomacia portuguesa não ter prestado qualquer declaração sobre o assunto ao longo da última semana, o Ministério garante que "tem vindo a acompanhar a situação e a prestar protecção consular através da embaixada portuguesa em Tunes [na Tunísia]".Paulo Rangel tinha conhecimento da situação pelo menos desde 19 de Maio, data em que o Bloco de Esquerda questionou directamente o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre a detenção da cidadã portuguesa neste país do Norte de África.O MNE, que no comunicado se refere aos participantes da caravana humanitária como "viajantes", lembra ainda que "há muito que desaconselha qualquer viagem para a Líbia".A Global Sumud Land Convoy acontece em paralelo à Global Sumud Flotilla, a frota humanitária que também tem tentado romper o cerco à Faixa de Gaza, mas por via marítima, e cujos activistas foram detidos por Israel em águas internacionais, na semana passada.No total, integram esta caravana mais de 350 pessoas de 30 nacionalidades, que partiram há cerca de um mês da Mauritânia. Do grupo de Ana Margarida Baptista sabe-se que faziam também parte uma espanhola, uma polaca, uma norte-americana, dois argentinos, um uruguaio, um tunisino e dois italianos.