Dr. Jairinho cercado pelos seus advogados durante o julgamento — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo A Justiça do Rio retomou hoje o julgamento do ex-vereador Jairinho e de Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, ocorrida em 2021. E logo no início, uma surpresa: o ex-parlamentar destituiu sua defesa após um dos advogados sofrer um infarto e não comparecer. Antes de ser alijada, a defesa de Jairinho pretendia usar um parecer técnico psiquiátrico para rebater uma avaliação conduzida pelo psiquiatra Rafael Bernardon que concluiu que o ex-parlamentar tem um perfil egocêntrico, narcisista e sádico. O médico deve ser uma das testemunhas da acusação. Para contestar, os advogados contrataram uma perícia independente, realizada pelo psiquiatra Hewdy Lobo, que atuou no casos de Suzane von Richtofen, Flordelis, e Adélio Bispo. Nas 95 páginas de seu parecer, afirma que a avaliação feita por Bernardon “apresenta graves limitações metodológicas e diagnósticas, que comprometem totalmente a solidez de suas conclusões”. Entre a principal delas, aponta, o fato de não ter avaliado Jairinho presencialmente. O documento também cita que o perfil de personalidade narcisista e sádica atribuído ao ex-vereador “não tem fundamentação mínima quando confrontado com avaliações psiquiátricas diretas, que consistentemente descartaram totalmente a presença de traços psicopáticos, sádicos ou agressivos”. Diz ainda que a forma como o parecer descarta evidências contraditórias mostra que um trabalho “com viés em direção à confirmação de uma única hipótese condenatória”. O parecer de Lobo sugere uma “patologização indevida de comportamentos sociais” e questiona “a formulação de hipóteses de tortura ou maus-tratos sem evidência clínica imediata”. O documento conclui que ficou “absolutamente cristalino” que Jairinho não tem perfil de agredir mulheres e crianças e afirma que a equipe responsável pela avaliação coletou informações com mulheres da convivência afetiva do ex-parlamentar. Antes do julgamento, Leniel Borel, pai de Henry, também disse que vai apresentar ao júri um suposto caso de uma menina que teria sido queimada por Jairinho.