A indústria brasileira enfrenta desafios no front externo, como consequências, na cadeia global de insumos, da guerra entre Irã e Estados Unidos, da questão tarifária com Estados Unidos e do enfraquecimento de poder de influência da Organização Mundial do Comércio (OMC). A análise partiu do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa. Durante seminário de celebração do Dia Nacional da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Rosa fez um retrospecto em relação à atuação do governo, no sentido de promover indústria nacional. Citou o programa “Nova Indústria Brasil (NIB)”, de fomento governamental ao setor industrial brasileiro, lançado em 2024. No âmbito do NIB, citou ainda recursos do “Plano Mais Produção”, que prevê R$ 713,3 bilhões em recursos entre 2023 e 2026, para projetos que impulsionam o desenvolvimento industrial. Mas o ministro admitiu que a indústria brasileira conta com desafios, internos e externos, para desenvolvimento sustentável em longo prazo. No caso das questões internas, citou o atual contexto do setor, de desindustrialização, perceptível na perda de participação da indústria no total do Produto Interno Bruto (PIB) nas últimas décadas. “O Brasil já paga um preço caro pela desindustrialização precoce e severa que sofreu, no final do século passado e começo desse século”, admitiu. “Com muita insistência do setor privado, com a resiliência do setor privado, o Brasil conseguiu conservar alguns ‘hubs’ importantíssimos para a indústria”, disse. “A Nova Indústria Brasil é baseada em executar algumas missões, para alcançar alguns desafios, alguns resultados”, disse. Porém, questões de setor externo também têm impacto, no desenvolvimento industrial brasileiro, reconheceu. O ministro citou a recente situação tarifária entre Brasil e Estados Unidos, no qual a nação estadunidense elevou em dois dígitos tarifas de importação de produtos em solo americano – e o Brasil não foi poupado. “Mas tivemos redução paulatina de tarifas e decisão favorável de Suprema Corte [dos Estados Unidos]. Mas aí veio a guerra no Oriente Médio”, afirmou. Rosa admitiu que isso tem gerado custos, ao setor industrial, como em despesas mais elevadas de importação de diesel. “Com conflito no Irã, com questões de tarifas nos Estados Unidos, essas cadeias globais de valor são reconfiguradas e é difícil para o Brasil”, disse. “E temos que enfrentar essa circunstância atual, do quase ‘desaparecimento’ da OMC” disse, ao observar que o órgão perdeu relevância em força, em resolução de questões comerciais internacionais. Em sua fala, o ministro defendeu ainda que o enfrentamento desses desafios seja feito por meio de parceria entre governo e iniciativa privada. “Desindustrializar é fácil. Promover a ‘neoindustrialização’, além de decisão política, exige dinheiro e planejamento de longo prazo e a certeza de que setor privado e setor público precisam caminhar juntos”, disse. Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil