'Sonhar, afinal, exige exercício contínuo. Entre guerras, polarizações, inseguranças e timelines apocalípticas, parece existir um projeto coletivo de achatamento dos nossos sonhos' RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 18:38 Sonhar: Tecnologia Ancestral e Essencial em Tempos de Conflito Sonhar é um ato revolucionário e essencial para a vida, especialmente em tempos de guerras e polarizações. O artigo reflete sobre como naturalizamos conquistas que um dia foram sonhos e destaca a importância de preservar sonhos coletivos que parecem surreais. O Prêmio Sim à Igualdade Racial celebra essa capacidade de sonhar e realizar, reforçando que sonhar é uma tecnologia ancestral vital para a transformação social. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Para você estar aqui hoje, alguém sonhou com você. Talvez sua avó tenha sonhado. Sua mãe. Seu pai. Ou alguém tenha simplesmente desejado que você tivesse uma vida menos difícil do que a dela. Pode parecer banal pensar sobre isso em meio à correria, aos boletos, às notificações acumuladas e à sensação de que estamos sempre atrasados. Mas existem coisas indispensáveis para continuarmos vivos. Sonhar é uma delas. Acho curioso como naturalizamos rapidamente aquilo que um dia parecia impossível. Você sonhou em dirigir. Hoje reclama do trânsito. Sonhou em viajar. Agora posta foto reclamando da fila do aeroporto. A vida adulta também é esse grande espaço onde vários sonhos realizados viram problemas premium. Mas o ponto é justamente esse: no momento em que o sonho vira conquista, a gente, por vezes, esquece que ele já foi semente. E sem semente não existe árvore. Por isso eu fiquei tão tocada com o tema do Prêmio Sim à Igualdade Racial deste ano: “Surrealismo afro-indígena brasiliano”. Fala justamente da capacidade deste sonho que parece surreal, distante ou até impossível, mas que amanhã pode ser concreto. Quando falamos em surrealismo, muita gente pensa logo em Salvador Dalí, relógios derretendo e pessoas olhando para quadros em silêncio fingindo que compreenderam o que estão vendo. Mas existe um surrealismo muito brasileiro, ligado aos desejos que nascem nas periferias, nas aldeias, nos quilombos, nas vielas e nos sonhos coletivos que insistem em sobreviver, apesar da realidade desafiadora. Mergulhar sem medo na Baía de Guanabara parece coisa de criança otimista desenhando futuro na escola. Mas, em algum momento, alguém também achou surreal mulheres votarem, pessoas negras ocuparem universidades e indígenas serem protagonistas das próprias narrativas. E cá estamos. Nem tudo aconteceu na velocidade que deveria. Nem tudo chegou para todo mundo. Mas vários sonhos coletivos deixaram de ser abstração, de algum modo, porque alguém decidiu sustentá-los por tempo suficiente. Sonhar, afinal, exige exercício contínuo. Entre guerras, polarizações, inseguranças e timelines apocalípticas, parece existir um projeto coletivo de achatamento dos nossos sonhos. Como se sonhar grande fosse ingenuidade e esperança, falta de senso crítico. Mas desconfio justamente do contrário. Sonhar não é alienação, é tecnologia ancestral. Antes de existir política pública, houve imaginação. Antes de existir o direito, alguém ousou imaginar dignidade. Antes da transformação tornar-se concreta, alguém se recusou a aceitar que a realidade precisava continuar exatamente igual. Talvez por isso “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, ou a máxima “sonho que se sonha junto vira realidade” continuem sobrevivendo ao tempo, mesmo depois de virar legenda de foto de formatura, camiseta motivacional e frase de grupo de WhatsApp da família. Porque, no fundo, é verdade. O Prêmio Sim à Igualdade Racial, que chega à sua nona edição celebrando os 10 anos do ID_BR, instituto que fundei, nasce justamente desse lugar: da possibilidade de celebrar sonhadores e fazedores; da insistência em proteger sonhos coletivos para que eles não desapareçam diante do cinismo do mundo. Sonhos de igualdade, dignidade e pertencimento. De imaginar presentes e futuros possíveis mesmo quando parecem surreais demais para caber no agora
Sonhar é, ainda, um dos atos mais revolucionários que existem
'Sonhar, afinal, exige exercício contínuo. Entre guerras, polarizações, inseguranças e timelines apocalípticas, parece existir um projeto coletivo de achatamento dos nossos sonhos'












