Quero escrever sobre os setimentos que me invadem a cada vez que entro em um avião, um ônibus ou um trem RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 13:47 "Autora Explora Viagem como Caminho de Autoconhecimento em Novo Livro" A autora reflete sobre a viagem como um meio de fuga e autoconhecimento, destacando suas experiências desde a infância. Em seu novo livro, "Um lugar na janela", ela pretende focar nas sensações íntimas ao viajar, especialmente de carro. A viagem, antes uma busca por novos lugares, agora é um caminho para o encontro consigo mesma. As descobertas internas ganham mais relevância do que os destinos externos, simbolizando maturidade e introspecção. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO "Se pensar bem, era tudo tão tosco que nem deveria deixar saudades. Um fusca debilitado. Família de quatro pessoas. Várias malas amarradas com cordas no teto do veículo. Uma estrada de mão dupla com curvas inquietantes. Levávamos umas seis horas para percorrer 200 km. Enjoo. Vontade de ir ao banheiro. A transmissão do rádio falhava por causa de interferências. Nada disso impediu que a paixão por viajar me contaminasse. Sentada no banco de trás, com as pernas ainda sem alcançar o chão e esticando a cabeça para enxergar a paisagem pela janela lateral, descobria que a distância que separa duas cidades é também a distância que existe entre uma vidinha e um vidão. Claro que, sendo criança ainda, as férias na praia eram apenas um ensaio de liberdade, sob vigilância paterna e materna, com horários para isso e aquilo. As escolhas ainda não eram minhas. Mas havia o mar, a brisa, a areia, a natureza. Outra coisa. Eu passaria o resto dos meus dias em busca dessa outra coisa”. Estou citando a mim mesma: os três parágrafos acima fazem parte do quarto volume da minha série de livros de viagem, “Um lugar na janela”. Recém comecei a escrevê-lo e, desta vez, pretendo detalhar menos as experiências turísticas e mais as sensações íntimas. Claro que algumas informações práticas escaparão ao longo dos textos, mas o foco será colocado sobre os sentimentos que me invadem a cada vez que entro em um avião, um ônibus ou um trem. E, principalmente, quando viajo de carro: oxalá eu consiga transmitir o que as estradas me provocam. Elas não são metafóricas à toa. Culpa da passagem do tempo, que tem me deixado mais emotiva. Percebo que o mundo que existe dentro de mim está se tornando maior do que o de fora, me oferecendo outras possibilidades de descobertas. Novas “primeiras vezes” estão acontecendo em minhas vísceras, e não mais diante de um monumento ou de um prédio histórico. Histórica, agora, sou eu, e em vez de me apavorar, procuro me encantar pela minha própria longevidade, da mesma forma que já me encantei pelas ruínas de Pompeia, de Machu Picchu ou do Partenon. Tragicômico, eu sei. Parar de viajar não está nos meus planos, mas o verbo conhecer vem ganhando contornos mais subjetivos. Me recomendam um restaurante em Tóquio, um rooftop em Marrakesh, uma basílica na Colômbia: dicas anotadas. Mas há outros embarques imediatos a me dedicar. Viajar sempre foi fuga e encontro, simultaneamente, mas não tenho mais do que fugir e já não preciso ver tanta coisa, só quero ir aonde eu esbarre comigo. Paris, Lençóis ou Cambará, o que importa é que o vidão esteja a uma curta distância, tão perto quanto é possível quando se busca verdadeiramente a si mesma.
Viajar é uma fulga e um encontro comigo mesma
Quero escrever sobre os setimentos que me invadem a cada vez que entro em um avião, um ônibus ou um trem












