Depois de meses de forte desconfiança do mercado, a Hapvida (HAPV3) começou a dar sinais de recuperação, ao menos na percepção dos investidores de renda fixa. O BTG Pactual chamou atenção para a forte queda nas taxas das debêntures da companhia após os resultados do primeiro trimestre de 2026, indicando que o mercado reduziu a percepção de risco sobre a empresa. Em outras palavras, isso significa que os investidores passaram a exigir um prêmio menor para emprestar dinheiro à Hapvida. Segundo o banco, os "spreads" (taxa adicional paga acima do CDI) chegaram perto de CDI +10% logo após os resultados do quarto trimestre de 2025, período em que cresceram os temores sobre a situação operacional e financeira da empresa. Agora, após o balanço mais recente, essas taxas recuaram para CDI +4,8% no mercado secundário. O que isso quer dizer na prática? As debêntures funcionam como títulos de dívida emitidos pelas empresas para captar recursos. Quanto maior a desconfiança do mercado sobre a capacidade de pagamento da companhia, maior tende a ser o retorno exigido pelos investidores. Por isso, quando as taxas das debêntures da Hapvida dispararam para perto de CDI +10%, o movimento refletia um mercado enxergando risco elevado na empresa. Já a queda recente indica uma melhora importante dessa percepção. Os títulos mais líquidos da companhia chegaram a negociar perto de retornos de dois dígitos no auge da tensão, mas passaram a cair de forma consistente após abril, especialmente depois da divulgação dos resultados do primeiro trimestre. O que melhorou? O BTG destaca que o trimestre trouxe sinais de estabilização depois de um período marcado por forte deterioração operacional. Entre os principais pontos positivos citados estão a desaceleração da perda de clientes, melhora no índice de sinistralidade, redução da queima de caixa e percepção de melhora na liquidez da empresa. A sinistralidade (indicador que mede quanto a operadora gasta com atendimento médico em relação ao que arrecada) melhorou 3,3 pontos percentuais na comparação trimestral, segundo o BTG. Além disso, a geração de caixa veio melhor após um segundo semestre de 2025 marcado por consumo elevado de recursos. Outro fator que ajudou o mercado a aliviar a percepção de risco foi a possibilidade de venda de ativos da operação Sul da companhia, movimento que começou a ser discutido em abril. A Hapvida corre risco? Na avaliação do BTG, o mercado pode ter exagerado no pessimismo nos últimos meses. O banco afirma que nunca enxergou um grande risco de inadimplência no curto prazo, principalmente porque a companhia possui R$ 5,2 bilhões em caixa, frente a uma dívida de curto prazo de R$ 1,3 bilhão. Ainda assim, a casa pondera que os problemas operacionais continuam no radar, com a Hapvida enfrentando perda de participação de mercado, queda do Ebitda na comparação anual, aumento dos custos médicos, despesas corporativas elevadas e pressão da judicialização sobre o caixa. E a ação? Apesar de reconhecer a melhora recente e enxergar os ativos da companhia como baratos, o BTG manteve recomendação neutra para as ações. O banco avalia que a nova estrutura de governança, com mudanças na diretoria e no conselho, pode ajudar no processo de recuperação, mas considera que os riscos de execução ainda são elevados. Ou seja, o mercado começou a enxergar menos chance de um cenário extremo para a companhia, mas ainda não comprou totalmente a tese de uma recuperação rápida da Hapvida. — Foto: Getty Images
Hapvida (HAPV3): taxas da dívida despencam e mercado reduz temor sobre a empresa
Taxas das debêntures da Hapvida têm forte queda após balanço do 1º trimestre e sinalizam alívio dos investidores, mas BTG ainda vê riscos na recuperação da companhia













