As queixas repetem-se entre quem vive e trabalha no Bairro Alto: noites sem descanso, ruas sujas ao amanhecer, comércio tradicional a desaparecer e cada vez menos moradores.Confrontada com este retrato, a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Almeida, reconhece que o Bairro Alto está a perder o equilíbrio que durante décadas definiu a sua identidade. Embora admita que as competências da junta são limitadas e que a resposta depende em grande medida da Câmara Municipal de Lisboa, garante à Fugas que não cruza os braços.“Os talhos fecham – o da Travessa da Boa Hora já anunciou o fecho. As mercearias desaparecem. Há zonas onde ao domingo não há um café aberto. Ao mesmo tempo, multiplicam-se lojas todas iguais, sem ligação à vida local. Vermos fechar pastelarias e padarias de sempre é perceber que estamos a perder identidade”, reagiu, por escrito, Carla Almeida, defendendo que se criou a “ideia errada de que o Bairro Alto pode ser uma discoteca a céu aberto”. “E não pode. Devia ser um bairro para viver.”Apesar das medidas adoptadas nos últimos meses para limitar a venda de álcool durante a noite, a autarca considera que os efeitos ainda não se fazem sentir no terreno. “As pessoas continuam sem conseguir descansar”, diz, salientando que o problema é comum a outras zonas da freguesia, como o Cais do Sodré ou a Praça das Flores.
Há a “ideia errada de que o Bairro Alto pode ser uma discoteca a céu aberto”
Carla Almeida, presidente da Junta da Misericórdia, quer distinguir estabelecimentos que cumprem regras e pede intervenção mais firme da câmara municipal de Lisboa.








