Novo elo com economia formal demonstra necessidade de integração para enfrentar facções A influenciadora Deolane Bezerra chega à sede da Polícia Civil em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo/21/05/2026 A prisão em São Paulo da advogada Deolane Bezerra é mais uma evidência da infiltração do crime organizado na economia formal e da sofisticação dos esquemas de lavagem de dinheiro. Deolane, influenciadora digital com 21,7 milhões de seguidores que ficou conhecida pelo relacionamento com o funkeiro MC Kevin e costuma postar fotos ao lado de carros de luxo e de suas viagens pelo mundo, é acusada de ser uma espécie de “caixa” do crime organizado, atuando a serviço do PCC para lavar recursos ilícitos. A investigação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, também expôs a incapacidade do sistema penitenciário de impedir que lideranças encarceradas continuem a comandar ações nas ruas. Deolane já tinha prontuário policial. Em 2024, a Polícia Federal a manteve presa no Recife, sob a acusação de integrar um esquema de lavagem de dinheiro de apostas digitais ilegais. Segundo a Polícia Civil pernambucana, ela investiu R$ 65 milhões em 12 imóveis de luxo em três anos. Foi solta e responde ao processo em liberdade. Agora, foi flagrada num esquema de fracionamento de depósitos milionários em parcelas inferiores a R$ 10 mil para que passassem despercebidos pelos controles. Valores gerados por atividades criminosas transitavam, segundo a polícia, por contas de Deolane para depois retornar ao PCC. Na operação, foram bloqueados 39 veículos avaliados em R$ 8 milhões e ficaram congelados R$ 357,5 milhões — R$ 27 milhões dos quais em nome da própria Deolane. A polícia diz ter encontrado vínculos dela com a cúpula do PCC, em particular com o líder da facção, Marcos Herbas Camacho, o Marcola, preso há 27 anos. A investigação chegou a Deolane depois da apreensão de bilhetes manuscritos com dois presos no complexo penitenciário de Presidente Venceslau (SP). Um dos inquéritos abertos a partir disso investiga lavagem de dinheiro por meio de uma empresa de transportes vinculada a Marcola, seu irmão Alejandro e outros parentes. No celular de um dos investigados, acusado de comprar caminhões e de movimentar recursos obedecendo a ordens de Marcola e seu irmão, havia imagens de recibos de depósitos bancários, alguns deles em contas de Deolane. As empresas de transporte são apenas um dos elos com a economia formal na extensa teia de negócios criminosos do PCC. A Operação Carbono Oculto mapeou no ano passado uma rede de mil postos de combustível em diversos estados, para vender álcool adulterado, mobilizando empresas de logística, usinas de açúcar e destilarias no interior paulista. Reportagem recente do Wall Street Journal apresenta o PCC como a organização criminosa que mais cresce no planeta, com braços na América Latina, nos Estados Unidos e nos maiores portos europeus. Para enfrentar organizações assim, não há alternativa: é urgente integrar as forças de segurança, sob coordenação federal. Embora o Congresso tenha avançado ao aprovar a lei das facções criminosas, só isso não basta. É preciso um plano nacional, executado com afinco por todas as esferas de governo.
Esquema de influenciadora com PCC revela sofisticação do crime
Novo elo com economia formal demonstra necessidade de integração para enfrentar facções














