As fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no mercado de energia caíram 18,6% em 2025, quando comparado ao ano anterior, segundo levantamento da consultoria PwC. O relatório considera o volume de transações por segmento e contabilizou 70 operações nesses setores no ano passado, contra 86 em 2024. Considerando toda a área de energia, serviços de utilidade pública e recursos (EU&R), que inclui também os setores de óleo e gás, mineração e metais e químicos, as operações caíram de 158 no ano retrasado — maior número da série iniciada em 2016 — para 129 no ano passado. De acordo com Favian Goitia, sócio da PwC Brasil, em se tratando de energia, a redução se deve a uma certa acomodação do mercado, depois de anos bastante aquecidos nos segmentos de geração distribuída, e projetos renováveis de grande porte. Ele aponta, porém, que a redução no número de transações não indica, necessariamente, uma redução nos valores que foram negociados. “O grande problema do mercado brasileiro é que a gente não tem a transparência necessária sobre os valores das transações. Então, não necessariamente há uma redução”, avalia sobre os montantes. Em metais e mineração foram 29 transações em 2024 e 23 no ano passado. De acordo com a PwC, porém, o setor está entre os que devem ser beneficiados pela necessidade de ampliar a capacidade disponível para atender à crescente demanda digital. Exemplo disso, segundo o executivo, foi o anúncio da venda da mineradora Serra Verde à USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões em abril deste ano. Para 2026, no caso brasileiro, se destacam as movimentações também no mercado de transmissão de eletricidade, dado o gargalo por escoamento de geração renovável — que tem sofrido com os cortes por razões sistêmicas — e a expectativa de aproveitamento de energia por data centers. “A aceleração da demanda por energia, impulsionada pela IA e pela expansão dos data centers, já produz efeitos concretos no Brasil. A combinação entre uma matriz energética diversificada, um amplo ‘pipeline’ de projetos em energia e saneamento e maior previsibilidade regulatória reposiciona o país como um polo relevante de oportunidades em M&A”, afirma Daniel Martins, sócio e líder da indústria de EU&R. O país, no entanto, tem gargalos para atrair esses investimentos como indefinições regulatórias e a dificuldade de garantir energia no montante necessário a esses dispositivos dadas as limitações de escoamento. “Não me parece que seja imediato. Assim como a resolução do ‘curtailment’ [cortes de geração], além dos excessos que a gente está tendo dentro do sistema. Eles continuarão a ser discutidos pelos próximos dois, três anos”, avalia Goitia. Ele lembra, porém, que mesmo nesse contexto, há acordos sendo fechados como o anunciado pela Omnia Data Centers e a Casa dos Ventos no valor de US$ 2 bilhões. Para ele, o cenário de custo de capital alto e as incertezas globais, acirradas pelo conflito no Irã, fazem com que o contexto interno, mesmo diante da aproximação das eleições, não reduza o ritmo das transações. “Há um cuidado, mas há direcionadores de transações interessantes”, completa, citando como exemplo a necessidade de reciclagem de capital por parte das empresas. Linha de transmissão de energia eletrica — Foto: Andre Prietsch/Divulgação
Fusões e aquisições em energia caem quase 20% no país em 2025
De acordo com sócio da PwC Brasil, a redução se deve a uma certa acomodação do mercado, depois de anos bastante aquecidos nos segmentos de geração distribuída, e projetos renováveis de grande porte















