Em uma decisão considerada rara, o juiz federal Waverly Crenshaw, de Nashville, no Tennessee, escreveu que o Departamento de Justiça reabriu uma investigação contra Abrego relacionada a uma abordagem policial ocorrida em 2022 e obteve uma denúncia criminal porque precisava de uma “justificativa” para permitir o retorno dele aos EUA. “As evidências apresentadas a este tribunal infelizmente refletem um abuso do poder de acusação”, escreveu Crenshaw, indicado ao cargo pelo ex-presidente democrata Barack Obama. “Sem o processo bem-sucedido de Abrego contestando sua remoção para El Salvador, o governo não teria apresentado esta acusação.” Imigrante deportado por engano pelo governo Trump se entrega nos EUA O imigrante virou símbolo da política de deportações de Trump Depois que a Suprema Corte dos EUA determinou que o governo facilitasse o retorno de Abrego, promotores apresentaram uma acusação criminal contra ele por suposto tráfico de pessoas, relacionada ao episódio de 2022. Abrego se declarou inocente e argumentou que estava sendo processado como represália por ter acionado a Justiça para retornar ao país. Em nota divulgada nesta sexta, os advogados do salvadorenho afirmaram: “Enquanto este governo continua desgastando nossa democracia, seguimos gratos por um Judiciário independente que aplica os precedentes legais aos fatos de forma imparcial.” O Departamento de Justiça informou que recorrerá da decisão. “Mais um juiz ativista colocou a política acima da segurança pública. A decisão é equivocada e perigosa”, afirmou um porta-voz da pasta. Juiz cita declarações de integrante do governo Trump Após o retorno de Abrego aos EUA para responder às acusações, o governo Trump retomou os esforços para deportá-lo para outro país que não fosse El Salvador. Em dezembro, a juíza federal Paula Xinis, de Maryland, determinou sua libertação da custódia imigratória. Crenshaw já havia afirmado no ano passado que havia uma possibilidade concreta de Abrego estar sendo alvo de uma acusação motivada por vingança. O juiz citou declarações dadas à Fox News pelo então vice-procurador-geral Todd Blanche, que afirmou que o governo passou a investigar Abrego depois que a juíza Xinis questionou sua deportação. Na decisão desta sexta, Crenshaw escreveu que o governo não conseguiu rebater a conclusão de que houve motivação retaliatória, destacando que Blanche não prestou depoimento em uma audiência realizada em 26 de fevereiro de 2026 sobre o possível arquivamento do caso. Atualmente, Blanche ocupa o cargo de procurador-geral interino dos Estados Unidos.
Acusação contra imigrante que governo Trump deportou por engano é arqu | G1
Decisão aponta que governo Trump reabriu investigação contra salvadorenho em retaliação ao processo movido por ele após deportação para megaprisão em El Salvador.










