A ausência de rastreabilidade nos processos de manutenção industrial segue como um dos principais fatores de risco nas operações produtivas. Sem registros estruturados e histórico confiável de intervenções, empresas ficam mais vulneráveis a falhas inesperadas, paradas não programadas e acidentes que poderiam ser evitados com maior previsibilidade técnica. Esse cenário se conecta diretamente ao desempenho da segurança do trabalho no Brasil. Em 2025, o país registrou 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes, o maior número da série histórica desde o início da consolidação dos dados modernos, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgado em abril de 2026 . O estudo reúne dados oficiais do INSS e do eSocial. Para a Melvin, empresa especializada em soluções de gestão e eficiência industrial, a falta de rastreabilidade dificulta a prevenção e transforma a manutenção em um processo reativo. "Quando não há rastreabilidade, a indústria perde a capacidade de enxergar padrões de falha. Isso significa operar sem histórico confiável, o que aumenta diretamente a exposição ao risco operacional", afirma Eymard Barroso, cofundador da empresa. Além do impacto na segurança, a ausência de registros estruturados também afeta a conformidade regulatória. Auditorias e fiscalizações exigem comprovação detalhada de intervenções em ativos críticos, e a falta desses dados pode resultar em autuações, restrições operacionais e até interdições temporárias de plantas industriais. O mesmo levantamento do MTE aponta ainda que, entre 2016 e 2025, o Brasil acumulou mais de 6,4 milhões de acidentes de trabalho e 27 mil mortes, com tendência de crescimento após a retomada econômica pós-pandemia . Especialistas associam parte desse avanço à complexidade crescente das operações industriais e à falta de padronização nos sistemas de controle. Na avaliação da Melvin, a rastreabilidade é hoje um elemento central da maturidade operacional da indústria. Sem ela, a tomada de decisão sobre manutenção se baseia em informações incompletas, o que compromete a eficiência dos ativos e aumenta a probabilidade de falhas críticas. Tecnologias como sensores industriais, sistemas integrados de gestão de ativos e análise de dados vêm sendo apontadas como alternativas para reduzir essas lacunas. Ainda assim, muitas empresas continuam operando com registros fragmentados, distribuídos entre planilhas, sistemas isolados e anotações manuais. "Sem rastreabilidade, não existe engenharia de confiabilidade consistente. Existe tentativa e erro. E isso, em ambiente industrial, significa risco contínuo", conclui Eymard Barroso.
Falta de rastreabilidade na manutenção expõe indústrias a riscos de acidentes e interdições
Falhas no controle de manutenção aumentam riscos operacionais e regulatórios















