Dario Durigan, ministro da Fazenda — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 11:07 Governo brasileiro amplia bloqueio de gastos para cobrir despesas previdenciárias inesperadas O governo brasileiro anunciou um aumento temporário no bloqueio de gastos ministeriais, atualmente em R$ 1,6 bilhão, apesar da expectativa de maior arrecadação. A medida visa compensar o aumento não previsto de R$ 11 bilhões em benefícios previdenciários, devido à redução da fila do INSS, e a decisão do STF de facilitar o salário-maternidade para autônomas, que adicionará R$ 5 bilhões aos gastos. Embora as receitas estejam dentro do esperado, o governo enfrenta frustrações de arrecadação com dividendos, somando apenas R$ 885 milhões de uma meta de R$ 30 bilhões para 2026. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ministro Dario Durigan anunciará, nesta sexta-feira, aumento do bloqueio de gastos dos ministérios, que atualmente está em R$ 1,6 bilhão. O governo vai cortar na própria carne, disse ontem, em entrevista à CNN Brasil. Por determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Ministério da Fazenda faz, a cada dois meses, uma avaliação de receitas e despesas primárias. Esse bloqueio é temporário: conforme o desempenho da arrecadação, esses recursos podem ser liberados. Durigan informou que não vai fazer contingenciamento, que acontece quando há risco de descumprimento da meta fiscal. Por esse instrumento, o recurso fica numa reserva e pode vir a não ser utilizado; a reversão é mais difícil do que a do bloqueio. Uma das razões para a elevação do valor bloqueado no Orçamento é o aumento dos gastos com benefícios previdenciários em R$ 11 bilhões, além do que o governo previa. Esse acréscimo tem uma boa razão: a redução da fila do INSS. Essa fila é inaceitável. Se alguém pede um benefício, deve tê-lo confirmado ou negado com agilidade. Outro custo que pesa para o bloqueio foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que facilitou a concessão do salário-maternidade para trabalhadoras autônomas, o que acrescenta R$ 5 bilhões às contas do governo em 2026. Segundo reportagem do Valor, a estimativa de gasto com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também deve ser elevada pelo governo. O ministro explicou que as receitas estão dentro do esperado, por isso o contingenciamento não está nos planos do governo. Há, inclusive, expectativa de revisão para cima da arrecadação diante do salto do preço do petróleo. A guerra tem trazido problemas para a economia global e para a brasileira, mas tem efeito positivo nesse ponto pelo fato de o Brasil ser um grande exportador de petróleo. Reportagem de Fabio Graner, no GLOBO, aponta um ganho de US$ 40 bilhões para os cofres brasileiros. O governo tem tido também algumas frustrações de receitas. A arrecadação com dividendos — que se previa compensaria a renúncia fiscal com a isenção de Imposto de Renda para os brasileiros que ganham até R$ 5 mil — somou apenas R$ 885 milhões nos primeiros quatro meses deste ano. O montante está bem longe da meta desenhada pelo Executivo de R$ 30 bilhões para 2026.