O longa 'The end of it', da diretora catalã Maria Martínez Bayona, imagina uma sociedade futurista onde morrer é opcional Gael García Bernal no tapete vermelho em Cannes — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Em uma sociedade futurista onde a morte é opcional, uma mulher de 250 anos decide que não quer mais continuar vivendo. Com Rebecca Hall e Gael García Bernal, o filme "The end of it", apresentado em Festival de Cannes, explora a obsessão contemporânea por deter o tempo. Por trás desta fábula de ficção científica está a diretora catalã Maria Martínez Bayona, que imagina um mundo em que a humanidade conseguiu derrotar o envelhecimento, mas não o vazio existencial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em uma sociedade futurista onde a morte é opcional, uma mulher de 250 anos decide que não quer mais continuar vivendo. Com Rebecca Hall e Gael García Bernal, o filme "The end of it", apresentado em Festival de Cannes, explora a obsessão contemporânea por deter o tempo. Por trás desta fábula de ficção científica está a diretora catalã Maria Martínez Bayona, que imagina um mundo em que a humanidade conseguiu derrotar o envelhecimento, mas não o vazio existencial. “A morte é o que nos dá a urgência de aprender, de amadurecer. É um motor da vida”, afirmou Martínez Bayona à AFP. Ela estreia seu primeiro longa-metragem no festival francês. A ideia do filme nasceu depois de a realizadora ler um artigo que afirmava que a primeira pessoa capaz de viver 150 anos já havia nascido. “No começo, achei fascinante”, relembra. Mas, à medida que imaginava uma sociedade em que a morte deixasse de ser inevitável, começaram a surgir perguntas mais inquietantes sobre a forma como os seres humanos viveriam, amariam ou encontrariam sentido para suas vidas. A diretora catalã Maria Martínez Bayona em Cannes — Foto: Sameer Al-Doumy / AFP “E se acabarmos derrotando a morte? A última fronteira da humanidade é justamente essa. E, se chegarmos a esse ponto, o que acontece com a vida? Como nos relacionamos?”, questiona Martínez Bayona. O tédio de viver para sempre Em "The end of it", a vida eterna é alcançada por meio de limpeza de sangue, substituição óssea e tratamentos médicos sofisticados. A protagonista, interpretada por Rebecca Hall, é uma artista que decide abandonar todos esses protocolos no dia de seu aniversário de 250 anos, quando percebe que a imortalidade esvaziou o sentido de sua existência. “Eu tenho tudo, já fiz tudo e já vi tudo”, diz Claire, personagem de Hall, antes de anunciar uma decisão impensável naquele mundo: morrer. “Claire vive no meio do absurdo e quer parar”, explica Martínez Bayona. Sua decisão desconcerta aqueles ao seu redor, especialmente seu marido, Diego, interpretado por Gael García Bernal, incapaz de compreender por que alguém abriria mão de uma existência aparentemente perfeita. Paradoxalmente, a personagem mais empática da história acaba sendo Sarah, a assistente de inteligência artificial de Claire, interpretada pela atriz americana Beanie Feldstein. “Me interessava que a inteligência artificial fosse quase mais humana do que os próprios humanos”, observa a diretora. “Sarah é realmente a única amiga e confidente que Claire tem.” Um futuro que fala do presente Embora o filme se passe em um futuro imaginário, a diretora insiste que ele fala diretamente sobre a sociedade contemporânea e a obsessão por apagar os sinais do tempo. “Há muitos elementos nisso: essa obsessão por permanecer em uma determinada idade e não sair dela, uma obsessão pela aparência, por eliminar as rugas”, afirma. Filmado em inglês, o longa mistura ficção científica, drama familiar e humor ácido em um universo onde as fronteiras culturais parecem ter se dissolvido. Formada pela National Film and Television School, em Londres — cidade onde vive atualmente —, Martínez Bayona (Reus, 1989) reconhece que trabalhar com um elenco desse nível em seu primeiro filme foi “um presente e um desafio”. “São atores incríveis, que entregam tudo”, afirma. Após anos de financiamento complicado e uma filmagem exigente, a diretora garante que sua participação em Cannes, onde o filme é exibido fora de competição, chegou como uma recompensa inesperada. “Foi um choque”, recorda. “Tínhamos acabado de terminar o filme e senti que era uma forma muito bonita de encerrar o processo.”