A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem e apreendeu nove embarcações de alta velocidade numa operação para cumprimento de mandados de busca relacionados com o tráfico de droga realizada “nos últimos dias”, indicou nesta sexta-feira esta polícia.A operação Expresso das Ondas, da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE), envolveu buscas a 14 armazéns em Lisboa, Leiria, Setúbal, Évora e Faro, “referenciados (...) por estarem a ser utilizados para suporte logístico a organizações criminosas que fazem uso de embarcações de alta velocidade no transporte de elevadas quantidades de droga”, refere um comunicado da PJ.O homem, detido no interior de um dos armazéns, tinha na sua posse cerca de 400 doses de cocaína, tendo sido igualmente apreendidos “três motores de 300cv, dois camiões, sete galeras, três geradores, cerca de 90 mil litros de combustível, três empilhadores e várias ferramentas e instrumentos utilizados pelas organizações criminosas para dificultar o trabalho de vigilância das autoridades policiais, com destaque para três bloqueadores de sinal de comunicações e várias câmaras de CCTV”.Várias dezenas de operacionais da PJ estiveram envolvidos na operação, que contou com o apoio da Autoridade Marítima Nacional. Esta é a primeira apreensão de lanchas rápidas que é divulgada pelas autoridades após a entrada em vigor da nova lei, no passado domingo, 17 de Maio, que visa apertar as regras na utilização destas embarcações.As investigações prosseguem, sendo o inquérito dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal, adianta o comunicado.A utilização de Embarcações de Alta Velocidade (EAV) para o transporte de droga no oceano Atlântico, no corredor entre os Açores, a Madeira e as Canárias e o seu desembarque na costa da Península Ibérica, “é a principal ameaça com que Portugal, Espanha e também a Europa se estão a debater neste momento” em matéria de tráfico de droga, como admitiu na semana passada ao PÚBLICO Artur Vaz, director da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da Polícia Judiciária (PJ).A nova legislação aprovada pelo Governo, que actualiza o regime de utilização deste tipo de embarcações e prevê penas de prisão de um a quatro anos para quem as possuir sem registo, pretende ajudar a combater este tipo de criminalidade. A lei actualizou um enquadramento legal com mais de três décadas, que as autoridades admitiam que já era insuficiente para travar o uso destas embarcações para negócios ilícitos.Com a nova legislação, os projectos de construção ou de modificação de embarcações de alta velocidade têm de ser submetidos à Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos. Quem não o fizer, arrisca-se a uma pena de prisão de até dois anos, assim como os tripulantes que transportem numa EAV mais combustível do que o permitido ou que recorram a mecanismos — como tinta ou equipamentos electrónicos — para que as embarcações não sejam detectadas pelos radares.O novo regime jurídico proíbe que estas embarcações sejam utilizadas sem autorização prévia entre as 21h e as 7h, uma medida que visa combater o tráfico de droga e pessoas, disse o Governo numa mensagem publicada nas redes sociais. O executivo adianta que entre as principais alterações que entraram em vigor está a obrigação de manter a embarcação atracada entre as 21h e as 7h, salvo autorização da Autoridade Marítima, a obrigatoriedade de um sistema de localização automática, a marcação obrigatória e visível com as letras “EAV” e a comunicação prévia de entradas e saídas do território.
Na primeira semana de vigência da nova lei, PJ detém homem e apreende nove lanchas rápidas
Num dos 14 armazéns foram apreendidos instrumentos usados para dificultar o trabalho de vigilância das polícias, incluindo três bloqueadores de sinal de comunicações e várias câmaras de CCTV.
















