A declaração do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em defesa da manutenção do estoque de urânio enriquecido do país, somada às negociações entre Teerã e Omã para criar um sistema de pedágios no Estreito de Ormuz, ameaça comprometer os avanços recentes nas negociações de paz com os Estados Unidos. Segundo informações da agência semioficial Iranian Students’ News Agency, Teerã está preparando uma resposta ao último texto apresentado por Washington, que, de acordo com o país persa, “reduziu as diferenças até certo ponto” entre os dois lados da guerra. Na quinta-feira, em oposição aparente a uma reportagem da Reuters segundo a qual uma diretriz iraniana determina que o urânio enriquecido próximo ao nível militar não seja enviado ao exterior, o presidente Donald Trump reiterou que os EUA irão recuperar o estoque do Irã. “Não precisamos dele, não o queremos [estoque de urânio enriquecido do Irã]. Provavelmente vamos destruí-lo depois de obtê-lo, mas não vamos deixar que eles o tenham”, disse em tom de ameaça. Trump, além disso, se opôs aos esforços do Irã e de Omã para estabelecer algum tipo de sistema permanente de pedágios em Ormuz. “Queremos que esteja aberto, queremos que seja livre, não queremos pedágios”, enfatizou a jornalistas na Casa Branca. “É uma hidrovia internacional. Eles não estão cobrando pedágios agora.” Também na quinta-feira, antes de embarcar para uma viagem à Suécia e à índia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que um sistema de cobrança tornaria um acordo com os EUA “inviável”. Rubio ponderou, por outro lado, que havia pontos positivos nas últimas negociações com o país persa. Já o presidente iraniano Masoud Pezeshkian insistiu que seu país não está prestes a ceder. “Forçar o Irã à rendição por meio da coerção não passa de ilusão”, escreveu na quarta-feira na rede social X. Embarcações navegam pelo Estreito de Ormuz , Musandam, Omã, 22 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer As declarações divergentes sobre temas centrais aumentaram as incertezas sobre um possível avanço nas negociações entre EUA e Irã, em meio a novas ameaças de escalada nos últimos dias. O Goldman Sachs afirmou que os estoques globais de petróleo bruto e derivados estão sendo reduzidos em ritmo recorde neste mês, à medida que a margem global de oferta diminui rapidamente. Apesar da situação paradoxal, o cenário parecia mais favorável após o Irã sinalizar que as divergências com os EUA estavam diminuindo em torno de uma proposta de 14 pontos apresentada semanas atrás. Em linhas gerais, o texto previa um acordo de curto prazo no qual o Irã reabriria Ormuz e os EUA suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos, permitindo que as partes avançassem posteriormente para negociações mais amplas sobre o programa nuclear iraniano. Teerã não indicou até o momento quando responderá formalmente aos EUA. O Ministério das Relações Exteriores iraniano reiterou que deseja um compromisso de encerramento da guerra “em todas as frentes, incluindo o Líbano”. Também pediu o desbloqueio de ativos congelados por sanções. Em Washington, líderes republicanos da Câmara cancelaram abruptamente na quinta-feira uma votação relacionada à guerra, uma vez que as ausências entre deputados do partido ameaçaram impor uma derrota constrangedora a Trump. A manobra ocorreu após um empate, na semana passada, em uma resolução da Câmara que buscava interromper a ação militar dos EUA contra o Irã. No início desta semana, uma resolução no Senado para encerrar a guerra avançou pela primeira vez em uma etapa processual, embora ainda não tenha sido submetida à votação final. Trump diz que os EUA podem atacar o Irã novamente, mas que Teerã quer um acordo Trump diz que os EUA podem atacar o Irã novamente, mas que Teerã quer um acordo — Foto: Reuters