A maioria dos conselheiros e diretores de empresas do Brasil e demais países da América Latina reconhecem a relevância estratégica da geopolítica, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). A percepção predominante é de que o tema gera uma combinação entre riscos e oportunidades, tanto no Brasil quanto nos demais países da região. Ainda assim, há discordância entre qual lado é mais forte. No Brasil, apenas 10% percebem o contexto geopolítico predominantemente como oportunidade. Nos demais países latino-americanos, este percentual sobe para 36,4%. Segundo o IBGC, esta divergência aponta para “uma postura relativamente mais orientada à captura de valor fora do Brasil, em comparação com uma leitura mais cautelosa ou centrada em riscos no contexto brasileiro”. A pesquisa contou com 424 respondentes, sendo 357 no Brasil e 67 em outros países da América Latina. A coleta dos dados ocorreu em momentos distintos dentro e fora do Brasil, o que pode ter influenciado nas diferenças das percepções dos respondentes entre as amostras, segundo o IBGC. Segundo o IBGC, a principal lacuna nas respostas não está na consciência sobre a geopolítica, mas na capacidade de incorporá-la de forma consistente à governança e à tomada de decisão. Desta forma, a governança geopolítica enfrenta três lacunas simultâneas: cognitiva, comportamental e estrutural. Combinadas, elas “limitam a capacidade dos conselhos de transformar consciência em decisão estratégica consistente”, avalia o órgão. Conselheiros e diretores tendem a avaliar mais positivamente o órgão do qual fazem parte. Segundo o IBGC, este padrão indica “diferenças de percepção quanto aos papéis e à efetividade na integração entre a governança e o contexto geopolítico”. Para mais de 80% dos conselheiros, o órgão está ciente sobre os riscos geopolíticos que podem impactar seus negócios. Em relação às oportunidades ligadas ao tema, o número cai para 70%. Por outro lado, a pesquisa demonstra que os “níveis elevados de consciência do tema não são acompanhados por percepção equivalente de capacidade analítica, especialmente entre diretores”, segundo o IBGC. No Brasil, 60,3% dos conselheiros e 40% dos diretores concordam que o conselho compreende o contexto geopolítico. Nos demais países da América Latina, esta percepção é de 43,2% dos conselheiros e 70% dos diretores. Em relação à compreensão da diretoria, o padrão foi mantido. No Brasil, ela é percebida por 54,5% dos conselheiros e 50% dos diretores. Já nos demais países latino-americanos, é percebida por 45,5% dos conselheiros e 80% dos diretores. Outro ponto de fragilidade é a base utilizada para a tomada de decisões. Menos de 40% dos respondentes no Brasil consideram que as informações disponíveis são suficientes para fundamentar decisões estratégicas. Além disso, o uso de tecnologias habilitadoras, como a IA, ainda não é percebido pela maioria como adequado, com predominância de respostas neutras ou negativas. Segundo o órgão, os resultados da pesquisa indicam “percepções heterogêneas” sobre a adequação das competências do conselho para lidar com o contexto geopolítico, sem uma clara concordância. Ainda assim, a maioria dos respondentes tem o reconhecimento dos dois órgãos com a integração de práticas de governança relacionadas ao contexto geopolítico. *Estagiário sob supervisão de Nelson Rocco — Foto: Pixabay
Executivos enxergam a relevância da geopolítica para os negócios, segundo pesquisa do IBGC
No Brasil, 10% percebem o contexto geopolítico predominantemente como oportunidade, e nos demais países latino-americanos, este percentual sobe para 36,4%















