A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o possível acesso ilegítimo às credenciais de um médico, o que terá comprometido dados pessoais de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), confirmou ao PÚBLICO fonte daquela força de investigação. Segundo a mesma fonte, o inquérito crime foi aberto na quinta-feira, após a PJ ter recebido relatos a dar conta de acessos indevidos aos processos clínicos. Em comunicado, a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (onde o clínico visado trabalha) esclareceu que, "tendo ouvido o médico, tudo indica que foram comprometidas as suas credenciais, não tendo os acessos sido realizados pelo profissional".Os relatos nas redes sociais multiplicam-se desde o fim do dia de quinta-feira: um médico terá consultado a base de dados de vários utentes através do Portal SNS24. Poderá estar em causa o acesso a estes dados por um hacker, que se terá apoderado das credenciais de um médico e, assim, acedido aos processos clínicos dos utentes. Para já, desconhece-se quantos processos foram expostos."O compromisso das credenciais do médico terá resultado no acesso indevido a registos administrativos, não clínicos, de diversos utentes, entre os quais crianças. A Unidade Local de Saúde do Alto Minho esclarece, ainda, que informou as entidades competentes para a apreciação da ocorrência de possíveis actos ilícitos", informa ainda aquela unidade.Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), entidade responsável pela gestão do Portal e da Linha SNS 24, dizem não comentar casos concretos relacionados com matérias de segurança ou cibersegurança, como afirmou, por seu turno, este organismo ao PÚBLICO."[A SPMS] assegura, porém, que todas as comunicações de possíveis incidentes de cibersegurança são analisadas e que está em permanente articulação com as autoridades competentes. Sempre que há indícios de factos ilícitos, estes seguem os trâmites instituídos", lê-se ainda na resposta.Segundo o Expresso, que recebeu a confirmação de uma fonte que está a acompanhar o processo, o hacker em causa acedeu a inúmeros processos clínicos e as autoridades estarão, aliás, a seguir uma pista de ataque informático.À Ordem dos Médicos chegaram várias queixas sobre este caso. Como referido, num primeiro momento, suspeitou-se da possibilidade de se tratar de uma falha deontológica e de má conduta por parte do médico cujas credenciais terão sido roubadas. "Falei com ele directamente e o médico afirmou-me que obviamente não tem absolutamente nada a ver com esta situação", que dirá, antes, respeito a um ataque informático, explicou Carlos Cortes ao PÚBLICO.O bastonário lamenta o comprometimento de dados pessoais e clínicos dos utentes, considerando a situação como "grave": "Tem de ser rapidamente resolvida e têm de se criar todas as condições para que isto nunca mais volte a acontecer. Estamos a falar de dados extremamente sensíveis."Ao Portal da Queixa chegaram também "várias reclamações contra o SNS", informou este organismo em comunicado. "A situação ganhou visibilidade após a partilha de mensagens em grupos privados de WhatsApp, onde vários utilizadores relataram suspeitas de consulta não autorizada de processos clínicos de crianças. O tema disseminou-se rapidamente no espaço digital, onde se verificou um crescimento acentuado nas pesquisas online relacionadas com termos como “acesso indevido histórico clínico”, “SNS24”, “Miranda do Corvo” e o nome do médico que terá sido vítima do roubo de credenciais."Os dados de saúde são classificados como informação altamente sensível, estando protegidos pelo Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (RGPD) e por normas específicas do SNS. O acesso deve ser limitado a profissionais devidamente autorizados e directamente envolvidos na prestação de cuidados", lê-se na mesma nota.
PJ está a investigar acesso ilegítimo a credenciais de médico que comprometeram dados clínicos de utentes
Em causa estão questões de cibersegurança. Unidade Local de Saúde do Alto Minho esclarece que tudo indica que as credenciais de um médico que ali trabalha “foram comprometidas”.










