É mais uma forma de pressão do Chega ao executivo de Luís Montenegro: o conselho nacional do partido aprovou por unanimidade "a rejeição da reforma laboral e da reforma do Estado apresentadas pelo Governo". Se André Ventura já afirmara em Abril que o partido não poderia dar o seu aval ao que se conhecia na altura sobre o arranque da reforma do Estado, nomeadamente as alterações ao funcionamento do Tribunal de Contas e uma das medidas-bandeira — o aumento do valor mínimo para que um projecto seja sujeito a visto prévio para dez milhões de euros —, o partido ainda não fora taxativo sobre a reforma laboral.Em comunicado, o Chega assinala que, na reunião desta quinta-feira à noite do principal órgão do partido entre convenções, "vários militantes, autarcas, deputados e dirigentes" se pronunciaram sobre a proposta de revisão das leis laborais e criticaram "o ataque aos trabalhadores e às mães trabalhadoras que o documento representa".O texto divulgado acrescenta que, sobre a reforma do Estado — de que se conhece apenas a alteração ao Tribunal de Contas —, "ficou claro que se trata de uma reforma que mais não faz do que facilitar a corrupção". Esse foi o argumento mais ouvido nesta quarta-feira na Assembleia da República quando os deputados debateram em plenário a proposta de lei do Governo. O diploma vai a votos nesta sexta-feira ao final da manhã e o executivo deverá ser salvo pelo PS, que já se mostrou disponível para viabilizar a proposta de lei mas exige alterações ao nível do limite do valor dos projectos sujeitos a visto prévio, por exemplo, em cinco milhões de euros, assim como nas regras da responsabilização dos gestores públicos."No decorrer da reunião [do conselho nacional, que se realizou nesta quinta-feira no Fórum Lisboa], ficou clara aquela que é a posição do Chega como um todo: a reforma laboral e a reforma do Estado, tal como estão, não podem contar com o voto favorável do partido", remata o comunicado.