Apesar de estar a "analisar a proposta cuidadosamente", o PS já sabe que não tem razões para mudar o voto contra que tenciona dar ao diploma do Governo sobre a revisão das leis laborais quando este for votado na Assembleia da República. Por seu lado, o Chega, que passou estes dois dias em jornadas parlamentares, pede capacidade de diálogo ao Governo, com André Ventura a insistir na sua exigência de descida da idade da reforma."Estamos a analisar a proposta cuidadosamente, mas não se espera nenhuma surpresa nem alterações significativas, tendo em conta a postura do Governo ao longo de todo este processo e a própria apresentação no final do Conselho de Ministros", afirmou ao PÚBLICO o deputado socialista Miguel Cabrita. Ainda sem conhecimento aprofundado da proposta de lei que entrou no Parlamento nesta terça-feira, o também secretário nacional do PS não tem grandes dúvidas de que "não fugirá muito ao expectável, com mais ou menos ajustamentos entre a proposta inicial e a última conhecida, que no essencial não diferiam".Na prática, não há razões para que os socialistas ponderem outro sentido de voto que não seja contra: José Luís Carneiro tem argumentado que as propostas do Governo significam "retirar direitos aos trabalhadores".Já o Chega continua apostado em afirmar-se como o parceiro negocial de Luís Montenegro. Nesta terça-feira à tarde, à margem das jornadas parlamentares, André Ventura, citado pela Lusa, considerou que "esta não é a reforma laboral de que o país precisa" e defendeu que o seu partido "tem negociado e tem dialogado de forma correcta", colocando o ónus no Governo, que acusa de "inflexibilidade"."O Governo tem de perceber agora se quer ir contra (...) o espírito nacional, ou se quer voltar atrás, como já voltou nalgumas matérias que o Chega referiu, como o caso da amamentação, o caso das formas dos contratos, o caso dos despedimentos, ou se não vai querer fazer. (...) Agora é um caminho que é do Governo", disse Ventura. O presidente do Chega mantém a condição da descida da idade da reforma, uma "questão decisiva e importante", e que é preciso que o Governo "diga se está disponível" para que a reforma possa acontecer "a partir dos 40 anos de descontos".