A direção nacional do Democracia Cristã (DC) abriu um processo disciplinar contra o ex-ministro Aldo Rebelo que deve resultar na expulsão dele da sigla, após o ex-ministro da Defesa decidir manter a pré-candidatura à Presidência e criticar o substituto escolhido pelo partido, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. Conforme a nota divulgada pelo DC nesta quinta-feira (21), a decisão acontece “diante do esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa frustradas pela reiterada intransigência do recém-filiado e tendo em vista os gravíssimos fatos e provas apurados, que afrontam os valores, os princípios, os objetivos e o Estatuto do partido". A legenda terá de comunicar a decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O racha no DC aconteceu após a direção do partido anunciar o ex-ministro do STF como pré-candidato à Presidência pela sigla, na semana passada. Após o anúncio, Rebelo afirmou publicamente que iria manter a candidatura e que, se o dirigente partidário João Caldas insistisse, a questão seria judicializada. Nesta semana, João Caldas disse ao Valor que não convidou Rebelo para ser pré-candidato e que apenas “deu a oportunidade” que ele queria. “Ele deveria ser grato. Ele era de vários partidos antes da gente e a gente que deu oportunidade”, afirmou. Apesar de Joaquim Barbosa ainda não ter assumido publicamente a pré-candidatura, Caldas garantiu que o ex-ministro do Supremo “está animado” para começar a campanha e que ele é o nome que vai “acabar com a polarização” política no Brasil. “Ele [Joaquim Barbosa] está animado. Ele é o cara que vai quebrar a polarização, que só existe porque não tinha um candidato como ele”, pontuou. A avaliação dentro do partido é a de que Barbosa pode “simbolizar uma resposta para a crise de ética da política e a desmoralização do STF”. Um dos motivos que levaram o partido a trocar de pré-candidato, segundo o dirigente do DC, foi a baixa pontuação de Rebelo nas pesquisas recentes. Nas últimas três divulgações da Genial/Quaest, Rebelo não cresceu nas intenções de voto e, na última, não pontuou. Em março, era de 1% a 2%; em maio, 0%. Antes de a direção do DC anunciar o processo de expulsão de Rebelo do partido, João Caldas chegou a afirmar ao Valor que não descartava a possibilidade de o ex-ministro da Defesa assumir a vice na chapa com Barbosa, mas acrescentou que as pesquisas mostravam “um outro caminho”. Segundo ele, já houve conversas com dirigentes de cinco partidos para uma possível aliança, entre eles Aécio Neves, do PSDB, e Gilberto Kassab, do PSD. A decisão da expulsão, no entanto, veio depois de Rebelo afirmar em uma entrevista que João Caldas estava usando a candidatura de Joaquim Barbosa para acenar ao STF, uma vez que, segundo ele, Caldas “teme que as investigações sobre o Banco Master atinjam ele e o filho”. Rebelo fez menção ao ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, filho do presidente do DC e pré-candidato ao governo de Alagoas. Isso porque há aportes no Banco Master feitos pelo Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev) de Maceió. Rebelo seguiu dizendo que, provavelmente, Caldas “procurou proteção de um ex-ministro do Supremo porque essa investigação vai para o STF”. Procurado, João Caldas não se manifestou sobre as acusações. Em nota, Rebelo disse que a decisão da direção do DC de abrir processo disciplinar contra ele não atinge sua "honra" pela "ausência de qualquer fato apontado que justifique a medida extrema” contra a filiação dele. Ele afirmou ainda que o processo é “exercício abusivo do direito, que deve ser rechaçado no âmbito da jurisdição” e disse que vai prosseguir com a pré-candidatura até convenção partidária.
DC abre processo disciplinar para expulsar Aldo Rebelo do partido
Decisão ocorre após ex-ministro manter pré-candidatura pela sigla, que anunciou Joaquim Barbosa para disputa à Presidência











