Partido diz que procedimento disciplinar foi aberto após 'esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa' e ofensas proferidas pelo ex-ministro contra a direção da sigla Aldo Rebelo — Foto: Maria Isabel Oliveira/ Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 14:34 Democracia Cristã inicia processo de expulsão contra Aldo Rebelo após críticas internas O Democracia Cristã anunciou a abertura de um processo disciplinar para expulsar Aldo Rebelo, após suas críticas à escolha de Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência. O partido alega que Rebelo ofendeu a direção e desrespeitou os valores da sigla. Rebelo, por sua vez, considera a substituição uma "afronta" e sugere que a decisão está ligada a preocupações políticas de João Caldas, dirigente do partido. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Democracia Cristã (DC) anunciou a abertura de um procedimento disciplinar para expulsar do partido o ex-ministro Aldo Rebelo, antes lançado como pré-candidato à Presidência pela sigla. A decisão foi comunicada a partir de uma nota divulgada pela legenda nesta quinta-feira, após Rebelo criticar a escolha da direção de substituí-lo pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, anunciado como postulante ao Planalto neste ano. "Diante do esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa — frustradas pela reiterada intransigência do recém-filiado — e tendo em vista os gravíssimos fatos e provas apurados, que afrontam os valores, os princípios, os objetivos e o Estatuto do partido, a Direção Nacional do DC delibera pela abertura imediata de procedimento disciplinar contra o referido filiado", informou o partido, em nota. O comunicado afirma que "tal medida resultará em sua expulsão sumária, com a devida comunicação de sua desfiliação à Justiça Eleitoral". O texto também diz que "nenhuma das atitudes manifestadas na imprensa nacional nos últimos dias condiz com os valores democratas-cristãos" e repudia "os ataques proferidos" por Rebelo contra a direção da sigla e seu presidente nacional, o ex-deputado João Caldas. Depois do partido oficializar Joaquim Barbosa como pré-candidato, Rebelo classificou o movimento da direção da sigla como uma "afronta" e um "balão de ensaio", afirmando que se mantém na disputa. Ainda nesta semana, Rebelo atribui a decisão a uma suposta preocupação de Caldas com o avanço do caso Master em Alagoas. O dirigente partidário é pai do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), cotado para concorrer ao comando do estado neste ano. — A oposição já está usando esse escândalo nas eleições de Alagoas e circula o dossiê dos negócios da família Caldas na prefeitura de Maceió, e diz: olha, provavelmente ele procurou algum tipo de proteção de um ex-ministro do Supremo porque essa investigação vai para o Supremo Tribunal Federal — disse o ex-ministro em entrevista à CNN ontem. Em comunicado enviado ao GLOBO após o anúncio de abertura do procedimento disciplinar, Rebelo criticou a decisão da sigla. "A nota da direção nacional do DC não atinge minha honra e a dignidade públicas pela ausência de qualquer fato apontado que justifique a medida extrema contra minha filiação", diz o texto. O ex-ministro também afirmou que a manifestação prova, entre outros aspectos, a "incoerência com o princípio da livre manifestação de todo filiado", "a inaptidão em conviver com críticas e opiniões divergentes" e a "violação das garantias constitucionais do devido processo legal, ao enfatizar a expulsão sumária, com atropelo à ampla defesa". Rebelo também afirmou que prosseguirá com a pré-candidatura até a convenção partidária, de acordo com ele, é a "instância autorizada para decidir soberanamente a escolha de candidaturas do partido".