A Justiça Eleitoral oficializou o cancelamento da filiação partidária do ex-ministro Aldo Rebelo ao Democracia Cristã (DC) após comunicação enviada pela direção nacional da legenda. A decisão foi assinada na segunda-feira (25) pelo juiz eleitoral Tiago Ducatti Lino Machado, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo. Na semana passada, a direção nacional do partido abriu um processo disciplinar contra o ex-ministro, que manteve sua pré-candidatura à Presidência mesmo após o presidente da sigla, João Caldas, anunciar a pré-candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. Na sentença, o magistrado afirma que o partido informou à Justiça Eleitoral que a direção executiva nacional do DC decidiu aplicar uma penalidade de expulsão contra Aldo Rebelo, pedindo a oficialização do cancelamento da filiação. O juiz determinou, então, que fosse registrada no sistema da Justiça Eleitoral a desfiliação do ex-ministro, com efeito retroativo a 22 de maio, data em que a direção partidária tomou a decisão. A decisão também cita que o partido apresentou documentos internos relacionados à deliberação da executiva nacional e comprovante de comunicação enviada a Aldo Rebelo sobre a medida. Ao Valor, Aldo Rebelo contestou a interpretação de que houve uma expulsão formal do partido. Segundo o ex-ministro, a decisão da Justiça Eleitoral tratou apenas da homologação de um pedido de desfiliação que ele considera irregular. “Não houve decisão judicial sobre expulsão, mas homologação de um pedido irregular e ilegal de desfiliação”, afirmou Rebelo. O ex-ministro também argumentou que a filiação ou desfiliação partidária é uma iniciativa individual do filiado e disse que um eventual processo de expulsão exigiria um procedimento interno que, segundo ele, “sequer foi aberto pela direção do partido”. “Todos os atos da direção do DC neste sentido estão eivados de ilegalidades e, portanto, judicializados”, declarou. Rebelo afirmou que irá recorrer da decisão e disse ter confiança de que a medida será revertida nos próximos dias. Segundo interlocutores do ex-ministro, a avaliação é de que a direção nacional do partido tenta antecipar a saída de Rebelo porque não teria maioria suficiente entre os diretórios estaduais para vencer a disputa interna durante a convenção partidária. Procurado, Caldas não retornou até a publicação deste texto. Racha interno no DC A crise na sigla começou após a direção nacional do partido anunciar Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República. Na semana passada, o DC abriu processo disciplinar contra o ex-ministro, alegando que tentativas de acordo haviam fracassado e que a postura de Rebelo contrariava princípios e normas internas do partido. Em entrevista ao Valor na última semana, Caldas afirmou que não havia convidado Rebelo para ser pré-candidato e que o partido apenas havia dado “uma oportunidade” ao ex-ministro. Caldas também afirmou que Joaquim Barbosa seria o nome capaz de romper a polarização política no país e disse que o ex-ministro do STF estava “animado” com a possibilidade de disputar a Presidência. Segundo o presidente do partido, a troca de pré-candidato também foi influenciada pelo desempenho de Rebelo nas pesquisas eleitorais. Nas últimas sondagens Genial/Quaest, o ex-ministro não apresentou crescimento nas intenções de voto e chegou a zerar em uma das simulações. Antes do agravamento da crise, João Caldas chegou a afirmar que Aldo Rebelo poderia até integrar uma eventual chapa presidencial como vice de Joaquim Barbosa. Segundo ele, porém, as pesquisas passaram a indicar “um outro caminho” para a legenda. O rompimento definitivo entre Caldas e Rebelo ocorreu após o ex-ministro afirmar, em entrevista, que o dirigente estaria usando a possível candidatura de Joaquim Barbosa para se aproximar do STF em meio a investigações relacionadas ao Banco Master.