A economia da zona do euro desacelerará em 2026 após a guerra no Oriente Médio desencadear o segundo choque energético em menos de cinco anos, com a gravidade do impacto dependendo de quanto tempo o conflito se prolongar, afirmou a Comissão Europeia nesta quinta-feira. A alta dos preços do petróleo para acima de US$ 100 por barril elevará a inflação e reduzirá a confiança de empresas e consumidores, acrescentou a instituição. “Antes do fim de fevereiro de 2026, a economia da União Europeia estava preparada para continuar se expandindo em ritmo moderado, juntamente com uma nova desaceleração da inflação, mas as perspectivas mudaram substancialmente desde o início do conflito”, afirmou o braço executivo da UE em comunicado. A Comissão Europeia agora prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro desacelere para 0,9% em 2026, ante 1,3% em 2025, com alta de 1,2% em 2027. Em seu conjunto anterior de previsões, divulgado em novembro, as expectativas eram de 1,2% e 1,4%, respectivamente. O executivo da UE também elevou suas previsões de inflação para 3,0% em 2026, ante os 1,9% anteriores, e para 2,3% em 2027, ante 2,0%, reforçando os argumentos para um aumento das taxas de juros pelo Banco Central Europeu. É praticamente certo que o BCE vai elevar os custos de empréstimos em sua próxima reunião, em 11 de junho, após a interrupção da rota marítima do Estreito de Ormuz provocar um salto nos preços do petróleo e empurrar a inflação da zona do euro bem acima da meta de 2% do banco. Os mercados financeiros esperam mais uma ou duas elevações ao longo dos próximos 12 meses. Sem recuperação se a guerra se prolongar A Comissão afirmou que o principal risco para suas previsões é a duração do conflito no Oriente Médio. Os dados que embasaram as estimativas consideraram informações até o fim de abril e início de maio e, embora um frágil cessar-fogo esteja em vigor entre os EUA e o Irã, o Estreito de Ormuz continua efetivamente fechado. Diante da incerteza, o braço executivo da UE informou que elaborou um cenário alternativo baseado em uma interrupção mais longa, no qual os preços da energia atingiriam o pico no fim de 2026 e retornariam gradualmente aos níveis normais apenas no final de 2027. Nesse cenário, a inflação não diminuiria e a economia não se recuperaria em 2027. O comissário europeu para Economia, Valdis Dombrovskis, afirmou que, no cenário adverso, as previsões de crescimento para este ano e o próximo seriam aproximadamente reduzidas pela metade. Em sua projeção principal, a Comissão afirmou que o consumo doméstico deve continuar sendo o principal motor do crescimento, embora a confiança do consumidor tenha caído ao menor nível em 40 meses quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã. O investimento empresarial provavelmente será limitado por condições de financiamento mais rígidas, menores lucros e aumento da incerteza, enquanto a demanda externa mais fraca reduz o crescimento das exportações. Ainda assim, o executivo da UE afirmou que investimentos em diversificação de fornecimento, descarbonização e redução do consumo de energia deixaram a economia europeia mais preparada para lidar com o choque atual do que com aquele ocorrido em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Guerra no Irã leva Comissão Europeia a cortar previsão de crescimento
Inflação alimentada pelo conflito no Oriente Médio deve desacelerar expansão econômica da zona do euro em 2026










