PUBLICIDADE Fabricante nacional cita crédito restrito e 'maior competição com alternativas digitais', como motivos para crise. Operações serão mantidas enquanto dívida é reestruturada Brinquedos da Estrela: empresa cita restrições de crédito e mudanças no comportamento do consumidor — Foto: Divulgação/Site oficial da Estrela RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 17:00 Estrela Busca Recuperação Judicial com Dívida de R$ 109 Milhões A fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial, enfrentando uma dívida de R$ 109,1 milhões. A empresa, conhecida por clássicos como Banco Imobiliário e Jogo da Vida, atribui sua crise ao aumento do custo de capital, restrições de crédito e à competição de alternativas digitais, que têm afetado a demanda por brinquedos tradicionais. Durante a reestruturação, as operações continuarão ativas. A situação reflete um cenário mais amplo no Brasil, onde altas taxas de juros e mudanças no comportamento do consumidor impactam diversos setores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Fabricante de brinquedos icônicos como Banco Imobiliário, Jogo da Vida e Susi, a Estrela informou nesta quarta-feira ter entrado com um pedido de recuperação judicial em meio a um endividamento de R$ 109,1 milhões. Assim como outras companhias brasileiras que buscaram a Justiça recentemente para se reestruturar, a empresa afirma sofrer com "um contexto de pressões econômicas", mas esse não é o único fator que pesa na operação. Segundo comunicado, a decisão da empresa "decorre da necessidade de reestruturação do passivo do grupo". A Estrela cita, entre outros, o aumento do custo de capital e as restrições de crédito, além de mudanças no comportamento do consumidor, "com maior competição de alternativas digitais". No documento, a empresa afirma ainda que manterá "suas atividades industriais, comerciais e administrativas, bem como o atendimento a clientes, parceiros e fornecedores", durante o processo de reestruturação das dívidas. Nos últimos meses, empresas de diferentes setores entraram com pedido de recuperação judicial no Brasil. Analistas avaliam que, em muitos casos, problemas de gestão vieram à tona diante de um cenário de manutenção da taxa de juros básica Selic em patamar elevado por muito tempo. Alguns exemplos são a Toky, dona da Mobly e da Tok&Stok, e a Casa&Vídeo. Mas além dos fatores macroeconômicos, que afetam as operações de empresas de todos os segmentos, no caso da Estrela há ainda o impacto das mudanças comportamentais ao longo dos anos, com eletrônicos ganhando espaço no dia a dia das crianças em detrimento dos brinquedos tradicionais. Sócio-diretor da Gouvêa Consulting, Roberto Wajnsztok observa que o setor como um todo sofre com o interesse menor das crianças por produtos como bonecas, carrinhos e jogos de tabuleiros. Mas a sensibilidade da Estrela a esses fatores é ainda maior, já que a empresa manteve o portfólio fiel aos brinquedos tradicionais. — A maior participação dos eletrônicos para o público infantil afetou diretamente as receitas da empresa, impactado também pelas importações, principalmente do mercado asiático, o que acaba drenando a demanda — analisa. Estrela entra em recuperação judicial após pressão financeira e concorrência digital 1 de 7 Clássico jogo de compra e venda de propriedades que se tornou um dos maiores sucessos da Estrela entre diferentes gerações — Foto: Divulgação 2 de 7 Tabuleiro em que os jogadores simulam etapas da vida adulta, passando por carreira, família e aposentadoria. — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Boneca icônica da Estrela que acompanhou tendências de moda e atravessou décadas no mercado brasileiro — Foto: Divulgação 4 de 7 Pista de trem elétrico que marcou gerações ao recriar circuitos ferroviários em miniatura — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 5 de 7 Linha de bonecas inspiradas em recém-nascidos, criada para estimular brincadeiras de cuidado e imaginação — Foto: Divulgação 6 de 7 Brinquedo de equilíbrio e saltos que se popularizou nos anos 1980 e incentivava atividades físicas. — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 7 de 7 Jogo de perguntas e respostas em que os participantes tentam descobrir o personagem escolhido pelo adversário — Foto: Divulgação Relembre clássicos que atravessaram gerações e ajudaram a transformar a fabricante em um dos maiores símbolos da infância no Brasil Segundo estatísticas da Abrinq, associação que reúne os fabricantes de brinquedos do Brasil, o faturamento total do setor foi de R$ 10,39 bilhões em 2025. Deste total, a produção nacional respondeu por R$ 5,535 bilhões, ou 53% do total. Em 2017, o faturamento do setor era de US$ 6,39 bilhões, e a produção nacional respondia por 59% do total. Os produtos chineses hoje respondem por 72% das importações de brinquedos no Brasil. O setor emprega 39 mil trabalhadores no Brasil, além de 4.913 terceirizados. — Houve uma reinvenção em alguns aspectos, mas nem de longe esses mercados têm o impacto da demanda tradicional dos brinquedos. Não resolve o problema. algum impacto nas vendas, não são movimentos suficientes para compensar o faturamento mais fraco, aponta Wajnsztok: — Houve uma reinvenção em alguns aspectos, mas nem de longe esses mercados têm o impacto da demanda tradicional dos brinquedos. Não resolve o problema. No setor de brinquedos, a concorrência com importados e, mais recentemente, o avanço das plataformas digitais impôs desafios adicionais aos fabricantes brasileiros.