As ofertas no mercado de capitais movimentaram R$ 236,1 bilhões no primeiro quadrimestre, com crescimento de 15,5% ante o mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgados nesta quarta-feira (20). Foram, no total, 918 operações no período de janeiro a abril, número 10,5% maior na mesma base de comparação. Considerando apenas abril, foram R$ 55,4 bilhões em 227 operações no mercado de capitais, o que significa um aumento de 14,0% em reais e de 3,2% na quantidade. O avanço ocorreu a despeito da menor movimentação com ofertas de debêntures. As emissões desses títulos somaram R$ 119,7 bilhões de janeiro a abril, apresentando um recuo de 5,6% frente ao mesmo período de 2025. O prazo médio dos papéis atingiu 8,2 anos, um pouco abaixo do contabilizado no ano passado, que era de 8,8 anos. Especificamente em abril, as emissões de debêntures somaram R$ 20,3 bilhões, o que mostra uma desaceleração ante os meses anteriores, já que a média registrada nos três primeiros meses do ano foi de R$ 33,1 bilhões. Segundo a Anbima, o destaque do período ficou com os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que chegaram a R$ 36,4 bilhões no quadrimestre, com um aumento de 47,6% na comparação com os primeiros quatro meses de 2025. O resultado foi puxado pelo desempenho de abril (R$ 15,0 bilhões), que atingiu o maior patamar desde dezembro de 2021. “Além do crescimento robusto no volume de FIDCs no acumulado do ano, vale ressaltar que o valor médio de R$ 111,2 milhões por operação é o menor entre todos os instrumentos, reforçando seu papel de porta de entrada para muitas empresas no mercado de capitais ao permitir o acesso a um funding estruturado, previsível e alinhado ao fluxo de recebíveis”, disse Guilherme Maranhão, presidente do fórum de estruturação de mercado de capitais da Anbima, em nota. Em abril, houve ainda o encerramento das duas primeiras ofertas realizadas via Regime Fácil, usufruindo das flexibilizações regulatórias previstas na Resolução CVM 232, totalizando R$ 23 milhões em notas comerciais. “O Regime Fácil deve acelerar esse movimento de entrada de emissores de menor porte no mercado de capitais e, como todo novo instrumento, espera-se uma evolução gradual”, disse Maranhão. Ao todo, as notas comerciais somaram R$ 13,7 bilhões nos primeiros quatro meses do ano, com expansão de 46,9% no volume em relação ao mesmo intervalo no ano anterior. No segmento de títulos híbridos, os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) atingiram R$ 25,9 bilhões, com aumento de 106,5%, e os Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagro) somaram R$ 4,0 bilhões, com crescimento de 128,1% Já as emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRIs e CRAs) tiveram redução no comparativo entre os quadrimestres, totalizando, respectivamente, R$ 12,8 bilhões e R$ 3,9 bilhões, com retração de 18,9% e 58,3%. — Foto: Pixabay