Não é tarefa simples transformar grandes projetos de saneamento em maus negócios. Mundo afora, esses contratos costumam ser bons para o concessionário e —o que mais importa— para usuários e poder público. O desenho é elegante: o desejo egoístico de lucrar leva o concessionário a cumprir o contrato com maestria, e desse esforço resultam, de soslaio, enormes benefícios coletivos. No Brasil, porém, uma combinação de interesses e imperícias vem subvertendo essa lógica.
Colunas
Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha
O primeiro problema está na distribuição de riscos. O concessionário recebe, na licitação, dados de partida –cobertura, perdas, cadastro– que não tem como verificar de modo independente. Ainda assim, o risco de essas informações não corresponderem à realidade lhe é atribuído. É risco que ele não pode gerenciar e que, por manual, caberia ao poder concedente.
Em segundo lugar, mantêm-se estatais ineficientes (sem corte relevante de pessoal) na produção de água bruta, cobrando preços muito acima dos de mercado e com "take-or-pay" (pagamento garantido por volume contratado, ainda que não utilizado) nos primeiros anos. Sustentam-se assim ineficiências e fabricam-se lucros visíveis nos balanços das estatais reduzidas a essa atividade.














