Emmanuel Moulin, ex-chefe de gabinete do presidente Emmanuel Macron, obteve nesta quarta-feira a aprovação parlamentar para a presidência do Banco da França, depois de prometer que administraria a autoridade monetária sem influências externas. Partidos de oposição dizem que a nomeação de Moulin por Macron é o exemplo mais recente de seus esforços para nomear aliados que possam exercer influência bem depois que ele deixar o cargo, após a eleição presidencial em abril próximo que a extrema direita tem chance de vencer. Ex-banqueiro e autoridade sênior do Ministério das Finanças, Moulin tem credenciais robustas como um dos formuladores de políticas mais experientes da França, mas enfrentou perguntas dos parlamentares sobre sua independência, tendo em vista suas ligações com Macron. “Estou diante de vocês como um homem livre, um servidor público que serviu ao Estado por 30 anos e que está comprometido em desempenhar suas funções com total independência e imparcialidade, tanto em relação ao poder executivo quanto aos interesses privados”, disse Moulin aos parlamentares durante a audiência de aprovação. Como presidente do Banco da França, que tem 226 anos de existência, Moulin participará do conselho do Banco Central Europeu (BCE) para definir as taxas de juros da zona do euro e será responsável pela regulamentação dos bancos franceses. Os oponentes nos comitês financeiros de ambas as casas poderiam ter bloqueado sua nomeação se três quintos deles tivessem votado contra ele. No final, Moulin foi aprovado com 52,7% de votos contra ele. Moulin, de 57 anos, tem a reputação de veterano em gerenciamento de crises, depois de assessorar o ex-presidente Nicolas Sarkozy durante a crise da dívida da Europa, bem como Christine Lagarde, atual chefe do BCE, quando ela era ministra das Finanças. Nomeado chefe do Tesouro em 2020, após chefiar o gabinete do ministro das Finanças Bruno Le Maire, ele também ajudou a conduzir a França durante a crise da covid-19, choques de inflação e negociações orçamentárias da União Europeia (UE). Moulin disse que, no momento, não poderia dizer qual seria sua posição na próxima reunião de política monetária do BCE, em junho, pois isso dependerá dos dados econômicos que chegarão até lá durante um período particularmente turbulento, marcado pela volatilidade do mercado de energia. Ele acrescentou que qualquer sinal de desancoragem das expectativas de inflação será fundamental e que os formuladores de política monetária precisarão estar particularmente atentos ao núcleo da inflação, que exclui preços voláteis como energia e alimentos. As tendências salariais são o terceiro fator crucial a ser monitorado antes da reunião de junho, para avaliar se o choque atual do conflito no Oriente Médio está tendo um efeito duradouro sobre a inflação, disse ele. “Se o choque for persistente e de grande escala, precisaremos claramente reagir”, disse Moulin aos parlamentares. “Se for em grande escala, mas não persistente, talvez seja necessária uma ação moderada se o choque for meramente transitório.” Emmanuel Moulin — Foto: Christophe Petit Tesson/Pool via Reuters
Aliado de Macron é aprovado para a presidência do banco central da França
Emmanuel Moulin, de 57 anos, tem a reputação de veterano em gerenciamento de crises











