Empresa brasileira afirma que ex-funcionário participou de chamadas remuneradas com pessoas ligadas à Meituan para repassar informações estratégicas Entregador do iFood — Foto: Rebecca Maria / Agência O Globo / 19-05-2022 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 10:19 iFood Processa Keeta por Espionagem Corporativa e Busca Indenização O iFood acusa a Keeta, controlada pela chinesa Meituan, de espionagem corporativa, alegando que ex-funcionário participou de reuniões remuneradas via Zoom para repassar informações estratégicas. A ação civil busca reparações por danos morais e materiais. A Keeta nega irregularidades, enquanto investigações apontam abordagens a restaurantes para obter dados financeiros. O caso intensifica a disputa no mercado de delivery no Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O iFood abriu uma ação civil por danos morais e materiais contra a Keeta, plataforma de delivery controlada pela gigante chinesa Meituan, acusando a concorrente de espionagem corporativa. Segundo a empresa brasileira, sete funcionários ligados à Keeta participaram, por meio da plataforma Zoom, de reuniões com um ex-funcionário do iFood para obtenção de informações estratégicas e sensíveis sobre sua operação. De acordo com a ação, os registros de IP das chamadas indicam acessos feitos de São Paulo, Barueri, Hong Kong e Pequim. O caso tem origem em uma investigação iniciada no ano passado, quando a Polícia Civil realizou uma operação contra um ex-colaborador do iFood suspeito de furto mediante abuso de confiança e invasão de dispositivo informático. Na época, o processo apontava que consultorias estrangeiras vinham abordando funcionários do iFood pelo LinkedIn, oferecendo pagamentos em troca de conversas sobre a empresa. Nessas reuniões, os interlocutores fazem perguntas sensíveis sobre temas como lucro e estrutura operacional da empresa. Esse investigado, segundo o inquérito, chegou a enviar áudios e prints dos valores recebidos (que totalizam mais de R$ 5 mil) a um grupo de mensagens interno chamado “Rádio Peão ifood”, para onde também teria encaminhado uma lista de perguntas feitas por uma mulher que se apresentou como funcionária de uma consultoria chinesa chamada China Insights Consultancy (CIC Global). Ele é a mesma pessoa que esteve nas reuniões com a Keeta agora mapeadas pelo Ifood. Se anteriormente o Ifood conseguia relacionar o vazamento de informações apenas a consultorias estrangeiras, agora alega ter encontrado indícios de uma conexão direta com a Keeta. Depois da ação perpetrada pelo iFood contra esse ex-funcionário no ano passado, ele confessou responder a questionários sobre informações sensíveis e estratégicas durante as reuniões com a CIC, diz a empresa. O documento acrescenta que, após busca e apreensão de equipamentos eletrônicos do investigado, foi possível comprovar a realização de ao menos uma das reuniões e obter dados técnicos relacionados ao caso. Com base nessas novas evidências, o iFood ingressou nos Estados Unidos com um procedimento de produção de provas contra o Zoom, plataforma utilizada nas chamadas remuneradas. Segundo a empresa, documentos obtidos indicam a realização de pelo menos cinco reuniões envolvendo o ex-funcionário e pessoas com e-mails de domínio “@meituan.com”. Procurado, o iFood disse já ter tomado medidas judiciais e extrajudiciais contra práticas de concorrência desleal. “A empresa continuará trabalhando para identificar as empresas envolvidas e promover um ambiente ético e de respeito às leis no ecossistema de delivery brasileiro”, diz a nota. Procurada, a Keeta disse operar em conformidade com todos os requisitos locais. A empresa reforçou que não contrata terceiros para abordar pessoas para acessar informações confidenciais e que ainda não foi notificada. A empresa lembrou que a Polícia Civil abriu uma investigação sobre supostos ataques coordenados de espionagem contra a Keeta e restaurantes em Santos, após o lançamento da operação na cidade. Pelo menos 8 restaurantes teriam sido abordados por indivíduos que se apresentavam como funcionários da empresa, apresentando credenciais falsas, com o objetivo de obter informações financeiras (métodos de pagamento dos consumidores, práticas de remuneração de entregadores, taxas de comissão e modelos de contratação), entre outros dados. A nova ação representa mais um capítulo da disputa pelo mercado brasileiro de delivery de restaurantes. Em maio, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que regula a concorrência no país, abriu uma investigação contra o iFood para apurar se a companhia havia descumprido um acordo antitruste firmado em 2023. O acordo foi assinado depois de uma denúncia da concorrente Rappi e prevê limites para os contratos de exclusividade que o Ifood pode manter com restaurantes parceiros. Ano passado, a 99, controladora da 99Food, abriu uma investigação interna para apurar um vazamento de dados confidenciais que pode ter ocorrido por meio de furtos de notebooks corporativos e da atuação de consultorias que teriam assediado funcionários. Entre os dados possivelmente comprometidos estão planos e cronogramas de expansão para novas cidades, contratos com restaurantes e detalhes sobre estrutura e estratégias comerciais da plataforma. A empresa também estava investigando roubo e furto de notebooks de funcionários que ocupam cargos estratégicos, incluindo pessoas diretamente ligadas às lideranças da 99 e da 99Food. A 99 informou ao GLOBO, na época, que centenas de funcionários relataram ter recebido mensagens, algumas mais de uma vez por dia, com ofertas que variavam de US$ 200 a US$ 1 mil por uma reunião na qual seriam solicitadas informações internas das empresas.
IFood acusa Keeta de espionagem corporativa e diz ter identificado reuniões de ex-funcionário com a rival
Empresa brasileira afirma que ex-funcionário participou de chamadas remuneradas com pessoas ligadas à Meituan para repassar informações estratégicas














