O Pentágono anunciou na noite de terça-feira que reduzirá o número de soldados americanos estacionados na Europa para níveis vistos pela última vez antes da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. Parte do plano envolve a suspensão do envio de tropas adicionais para a Polônia, aliada da Otan, enquanto o governo Trump avança com sua agenda “America Primeiro” e retira milhares de militares da Europa. O departamento da Defesa afirmou que a decisão de reduzir o número de brigadas no continente de quatro para três foi “resultado de um processo abrangente e multifacetado, focado na presença militar dos EUA na Europa”. A suspensão na Polônia inclui reduzir de quatro para três as brigadas de combate no continente, unidades que podem incluir até 4 mil soldados, tanques e enormes quantidades de equipamentos de apoio. Os EUA têm entre 80 mil e 100 mil soldados na Europa, número que varia de acordo com a rotação de soldados no continente. Só na Alemanha o país tem 35,000 soldados. O governo Trump também planeja informar aos aliados da Otan esta semana que reduzirá a capacidade militar que os EUA teriam disponíveis para auxiliar os países europeus da aliança em uma grande crise, disseram à Reuters três fontes familiarizadas com o assunto. Sob uma estrutura conhecida como Modelo de Forças da Otan, os países-membros da aliança identificam um conjunto de forças disponíveis que podem ser ativadas durante um conflito ou qualquer outra grande crise, como um ataque militar contra um integrante da Otan. Essas medidas representam a mais recente ação do governo Trump para pressionar os aliados europeus a assumirem maior responsabilidade pela defesa militar, embora críticos alertem que isso enfraqueceria a dissuasão da Otan contra a Rússia. Redução significativa Embora a composição exata dessas forças de guerra seja um segredo fortemente protegido, o Pentágono decidiu reduzir significativamente seu compromisso, disseram as fontes, que pediram anonimato para falar abertamente sobre os planos. O presidente Donald Trump há muito pressiona os países europeus a assumirem um papel maior em sua defesa coletiva, mas nas últimas semanas demonstrou irritação com o que considera falta de apoio entre aliados centrais da Otan à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Em comunicado, o Pentágono chamou a Polônia de “aliada modelo dos EUA” e afirmou que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, telefonou mais cedo ao vice-primeiro-ministro polonês Kosiniak-Kamysz para assegurar que os EUA manterão uma “forte presença militar na Polônia”, apesar da redução planejada de pessoal. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, minimizou o impacto da medida durante entrevista na Casa Branca na tarde de terça. Embora confirme o cancelamento de tropas para a Polônia, Vance disse que não é correto afirmar que os soldados estejam sendo retirados da Europa. Os EUA querem incentivar a Europa a “assumir mais responsabilidade” pela defesa comum, afirmou. “Não reduzimos os níveis de tropas na Polônia em 4 mil soldados. O que fizemos foi adiar uma mobilização de tropas que iria para a Polônia. Isso não é uma redução, é apenas um atraso padrão em uma rotação que às vezes acontece nessas situações”, afirmou Vance. O Departamento de Defesa “determinará a disposição final dessas e de outras forças americanas na Europa com base em análises adicionais das exigências estratégicas e operacionais dos EUA, bem como da capacidade dos próprios aliados de contribuir com forças para a defesa da Europa”, diz o comunicado do Pentágono. Temor da Rússia A redução de tropas preocupa profundamente os aliados da Otan, enquanto a Rússia continua sua guerra na Ucrânia e ameaça o flanco oriental da aliança. No início da guerra em 2022, o governo Biden enviou milhares de tropas adicionais para o Leste Europeu na tentativa de dissuadir o Kremlin de agir além da Ucrânia. Trump, que tentou sem sucesso negociar um acordo de paz entre Moscou e Kiev, retirou tropas da Romênia no ano passado. Neste mês, o Pentágono afirmou que pretende retirar outros 5 mil militares da Alemanha — medida amplamente vista como punitiva após o chanceler alemão Friedrich Merz criticar a guerra contra o Irã e afirmar que os Estados Unidos haviam sido “humilhados”. Embora o governo Trump venha sinalizando há meses suas intenções, a retirada de forças da Europa tem preocupado parlamentares republicanos e democratas no Congresso. O anúncio de terça-feira ocorre após uma decisão de Hegseth, na semana passada, de interromper abruptamente o envio para a Polônia de uma brigada de combate baseada no Texas, parte da qual já havia chegado ao país. A medida pegou autoridades americanas e polonesas de surpresa. Alguns soldados e equipamentos da 2ª Brigada Blindada de Combate da 1ª Divisão de Cavalaria já estavam posicionados e prontos para iniciar uma missão planejada de nove meses, provocando uma corrida para interromper novas partidas de Fort Hood, no Texas, e organizar o retorno de centenas de militares que já haviam chegado à Polônia.
Pentágono anuncia retirada de milhares de tropas da Europa
Mudança faz parte da agenda "America Primeiro" de Trump mas também envolve percepção de que EUA tentam punir europeus por falta de apoio à guerra no Irã













