A deusa Tara medita com a perna direita estendida e o pé tocando o chão. Pode se levantar a qualquer hora para proteger alguém Estátua da Deusa Tara, do Budismo, exposta no Lacma, museu de Los Angeles — Foto: Martha Batalha RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Tara é uma deusa budista que representa a capacidade de ajudar os outros a se libertar No budismo, o passo além da libertação pessoal é a capacidade de ajudar os outros a se libertarem. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Hoje vamos para uma exposição sobre budismo no Museu de Arte Moderna de Los Angeles, o Lacma. Três salões com 180 estátuas, quadros e objetos ritualísticos. Para um melhor aproveitamento ofereço a conveniência deste curso, intitulado “Budismo em um parágrafo”: Sidarta era um príncipe da Índia protegido das mazelas do mundo pelas muralhas de seu palácio. Aos 29 anos ele sai de casa pela primeira vez e se depara com a vida como ela é. Por todos os lados há miséria, doença, velhice e morte. Chocado, Sidarta abdica do trono, abandona mulher e filhos e percorre o mundo a fim de entender o sofrimento. Depois de seis anos ele se senta sob uma figueira e, através da meditação, deixa de sofrer e atinge uma consciência elevada, o Nirvana. Ele se torna o Buda e irá dividir o que aprendeu até a sua morte, aos 80 anos. Segundo o budismo, com disciplina e prática qualquer um pode chegar ao Nirvana. A religião se espalhou pela Ásia através da história oral. Havia também os templos e monastérios, as músicas, cantos e rituais, os quadros e estátuas, o que diz mais sobre os homens do que sobre o Buda. Nós somos criaturas imperfeitas, que precisam do hábito e da repetição para se guiarem. Que aprendem sobre si e o entorno através de símbolos e metáforas. Uma imagem religiosa existe porque ver ajuda a crer. Pronto, vocês já sabem o que precisam para me acompanhar num tour pela exposição. A especialista diz: este é um Buda tailandês, aqui um Buda indiano, este é da China, aqui um de madeira, aquele de pedra, cobre, do século II, III etc. Eis que surge a estátua de uma mulher. É a deusa Tara. Na sua origem há o mesmo desconforto sentido por mim no tour: por que, na representação de séculos de história budista, não há Budas mulheres? Por que as mulheres tinham que parir filhos e filhas, os filhos com mais possibilidades de chegar ao Nirvana, as filhas se tornando as mulheres a parir filhos de rota livre ao Nirvana? Tara pensou igual. Durante a vida foi uma princesa, e quando chega ao Nirvana nota que são raras as mulheres na mesma posição. Ela decide continuar reencarnando, sempre como mulher, para ser referência feminina e ajudar outras pessoas a se iluminar. No Budismo, o passo além da libertação pessoal é a capacidade de ajudar os outros a se libertarem. Esta capacidade é representada por Tara, uma entidade maior do que o Buda, a deusa mulher. Quem chegou até aqui ganha uma estrelinha, porque budismo é complicado. E vamos para a melhor parte: o pé. Quando medita, o Buda está na posição de lótus: sentado de pernas cruzadas, costas eretas e braços relaxados. Tara medita com a perna direita estendida e o pé tocando o chão. Está assim porque pode se levantar a qualquer momento para proteger alguém. O feminino é representado através de seios, cinturas, nádegas, cabelos longos, coxas fartas ou longilíneas. Depois de conhecer Tara eu me dei conta deste novo símbolo: o pé. Mulheres estão em constante vigília, com o pezinho pronto para o impulso. Nem pensem em mexer com os seus. Elas se levantam, tornam-se guerreiras, e não há Buda capaz de contê-las.
Um pé de mulher no budismo
A deusa Tara medita com a perna direita estendida e o pé tocando o chão. Pode se levantar a qualquer hora para proteger alguém















