O PT busca definir um candidato para concorrer ao governo de Minas Gerais depois de o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) desistir da disputa estadual. A cúpula nacional petista deve se reunir nesta quarta-feira (20), em Brasília, para discutir o impasse em torno do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado, segundo maior colégio eleitoral do país. A sigla está dividida entre lançar o empresário Josué Gomes da Silva (PSB) ou ter um nome próprio na eleição mineira, com a candidatura da ex-prefeita Marília Campos, de Contagem. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, divulgou na terça-feira (19) que Pacheco não concorrerá em Minas, informação que, até então, circulava apenas nos bastidores. “Nós estávamos trabalhando com a candidatura do Rodrigo Pacheco. Infelizmente ele optou por não ser candidato. Nós reabrimos o diálogo em Minas Gerais, estamos conversando com várias lideranças e tenho certeza de que vamos construir uma candidatura que tenha um palanque forte para o presidente em Minas”, afirmou Edinho, em entrevista ao podcast “Warren Política”. O PT pretende reunir lideranças da sigla, dos diretórios nacional e mineiro, para debater a estratégia no Estado, aproveitando a presença do grupo em Brasília para prestigiar a posse do deputado Odair Cunha (PT-MG) como novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Aliados de Pacheco disseram ao Valor que ele ainda não conversou sobre o assunto diretamente com Lula, e que aguardava esse encontro antes de tornar pública a sua decisão, mas que foi atropelado por Edinho. Segundo esses aliados, um grupo encabeçado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que inclui, até mesmo, quadros do PT mineiro, está em campo para tentar salvar o projeto com Pacheco. Alckmin tenta promover o encontro do senador do PSB com Lula, antes de se jogar a última pá de cal sobre a chapa. Um interlocutor de Pacheco alega que havia conversas encaminhadas com MDB e PSDB para formarem uma ampla aliança, liderada pelo senador do PSB. O diálogo azedou no fim de abril, depois que os senadores rejeitaram a indicação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O PT e o governo passaram a olhar Pacheco com desconfiança, por supostamente ter articulado junto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a derrota de Messias. Interlocutores de Pacheco rechaçam as suspeitas, ponderando que ele fez gestos públicos de apoio a Messias. Pacheco era o nome preferido de Alcolumbre para o STF, mas Lula optou por Messias. Entre as alternativas cogitadas pelo PT e por Lula para o governo de Minas está Josué Gomes da Silva, da Coteminas, que é filho de José Alencar, vice de Lula em seus dois primeiros mandatos. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) também é citado, mas há resistência de ambos os lados à união PT-PDT em Minas. Outro nome que tem ganhado força dentro do PT é o de Marília Campos. A ex-prefeita, no entanto, diz que prefere disputar o Senado. Marília foi reeleita em 2024 prefeita de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Em março, deixou a prefeitura para poder concorrer ao Senado. Em outra frente, a oposição também enfrenta turbulências em Minas. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas para o governo, havia firmado aliança com o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência, antes da divulgação do áudio que revelou sua ligacão com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Após a revelação, Cleitinho evitava se manifestar, mas questionado pelo Valor, comparou o episódio relacionado a Flávio com a revelação do contrato entre Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. “Por isso que eu tenho defendido CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito ]pra todo mundo, investiguem tudo, direita e esquerda”, afirmou. Ele não respondeu, contudo, se poderia rever o apoio a Flávio.