O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo afirmou nesta terça-feira (19) que seu papel à frente da instituição é preservar o Banco Central e evitar que a autoridade monetária se transforme em qualquer tipo de palanque político. A declaração foi feita após ser questionado durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sobre o termo de compromisso de R$ 300 mil firmado pelo ex-presidente do BC Roberto Campos Neto com a autoridade monetária, ligado ao período em que ele trabalhou no Banco Santander. “Sou o segundo presidente do Banco Central autônomo e no mandato que está escrito é que tenho que cuidar da estabilidade financeira e monetária. Mas tem um terceiro mandato que tem sido um tema que tenho perseguido muito: não deixar o Banco Central se transformar em qualquer tipo de palanque para política. Não cabe a mim perseguir ninguém”, disse durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Galípolo afirmou que não há nada de errado na governança relacionada ao termo de compromisso. Segundo ele, o procedimento foi instaurado em razão do preenchimento inadequado de informações e resultou no pagamento de R$ 19 milhões em multa pelo Santander. O presidente do BC disse ainda que o processo envolvendo Campos Neto e o termo de compromisso não passa pela diretoria nem pelo regimento interno do BC. Acrescentou ainda que no momento da celebração do acordo, Campos Neto não exercia cargo no BC. Autonomia do BC Galípolo afirmou durante a audiência pública que existe a percepção de que, sempre que avança a proposta no Congresso relacionada à autonomia orçamentária do BC, surgem novos elementos que acabam dificultando o andamento da discussão. Segundo ele, sem reforço de recursos para a instituição, a situação tende a se deteriorar. Ele pediu “pelo amor de Deus” que o Senado aprove projeto de lei que prevê autonomia financeira para o BC. “Se o Senado quer realmente ajudar a governança do Banco Central, pelo amor de Deus, aprove o PLP (projeto de lei complementar) que está há dez anos na Câmara, que dá autonomia para o BC que o Banco Central da Nigéria tem, o do México tem, o da Inglaterra tem, o da Portugal tem, todos esses bancos centrais têm recursos para poder competir com o sistema financeiro que tem muito recurso”, disse. Ele afirmou que a sensação que o preocupa dentro é que o Banco Central acabe sendo punido por suas virtudes, e não por seus vícios. “A sensação de que a casa pode ser asfixiada porque tomou algumas decisões deixaria a pior herança possível para esse país. O Banco Central não vai botar para jogo o seu mandato. Ele não vai negociar em nada o seu mandato”, disse. “Meu receio é que fato que BC não negociar seu mandato o faça ser asfixiado porque não entra no jogo político”, acrescentou durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Segundo Braga, o debate não deve se limitar apenas ao reforço orçamentário da instituição. “Não adianta resolver exclusivamente a questão orçamentária do Banco Central, é mais complexo que isso. É preciso resolver o problema do Banco Central, o problema do Coaf e o problema da CVM. Temos que dotar o sistema de fiscalização, comando e controle do sistema financeiro brasileiro de recursos necessários para que essa governança funcione com eficiência”, pontuou. Segundo ele, existem diversos pontos que precisam ser urgentemente equacionados entre os Poderes Executivo e Legislativo e a estrutura de fiscalização e controle do sistema financeiro e bancário para evitar brechas. O atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, entrevista o ex-presidente Roberto Campos Neto, para a série "Conversas Presidenciais" do Banco Central do Brasil — Foto: YouTube/Banco Central do Brasil