No dia 18 de abril, a Palantir publicou em sua conta oficial na rede social X, antigo Twitter, uma síntese de 22 tópicos do livro The Technological Republic: Hard Power, Soft Belief, and the Future of the West, escrito pelo CEO da empresa, Alex Karp, em conjunto com Nicholas W. Zamiska. Imediatamente nomeado nas redes digitais manifesto tecnofacista, o texto chama atenção por deixar evidente que a empresa participa por princípio dos esforços de guerra dos Estados Unidos e integra seu complexo militar-industrial baseado em dados e na inteligência artificial.

Não é a primeira vez que executivos de big techs se aventuram a prescrever os rumos geopolíticos do Ocidente. Eric Schmidt, ex-CEO do Google, fez isso ao lado de Jared Cohen em The New Digital Age (2013), propondo a expansão da influência norte-americana via domínio tecnológico. O Google, porém, jamais assumiu o livro como uma posição oficial, tampouco o divulgou em seu site ou em suas contas oficiais nas redes de relacionamento online. Já a Palantir deixa clara sua posição política e ideológica.

A Palantir foi fundada por Peter Thiel, liderança associada à extrema-direita, fundador do PayPal e sócio de diversos empreendimentos do Vale do Silício. Em 2004, então recém-criada, recebeu um aporte de capital da CIA, amplamente divulgado na ocasião. Seu software mais conhecido, batizado de Gotham, permite reunir diferentes bases de dados para produzir ataques e soluções táticas para operações militares e de espionagem. Há suspeitas de que o ataque à Venezuela, por exemplo, tenha utilizado dados de satélite, bases geográficas, informações de inteligência, dados de sensores e de espiões em campo integrados pela solução da Palantir.