A cantora, compositora e acordeonista Lívia Mattos atribui muito de seu trabalho autêntico ao circo — começou a carreira, há cerca de 20 anos, tocando sob uma lona. Vem daí, segundo ela, sua inquietação na forma de criar, misturar e experimentar.

Em entrevista a CartaCapital, afirmou sempre ter pensado na sanfona para além da ligação com o forró. “Desde o início tive vontade de criar a partir dela”, resumiu. “Tocar um instrumento, no meio do mercado da música, se impondo e colocando sua leitura é revolucionário. Tocar sanfona é resistência. A sanfona é um instrumento emblemático em um universo machista.”

Após tocar no circo, compor uma banda de forró e acompanhar artistas (como Chico César), partiu para a carreira solo e colocou em prática os planos de alcançar novas sonoridades e novos arranjos.

Daí vieram os seus discos autorais Vinha da Ida (2017), Apneia (2022) e Verve (2025). “O primeiro é mais solar. O Apneia (palavra propositalmente usada no contexto da pandemia) é mais denso”, diz. O terceiro seria uma concisão dos dois primeiros trabalhos.

Em Verve, Lívia consolidou uma linguagem de trio que buscava há anos, com a sua sanfona acompanhada da tuba de Jefferson Babu e da bateria de Rafael dos Santos. O álbum tem músicas instrumentais e cantadas.