A presidenta Dilma já pode se sentir vingada. Em 2015, foi ridicularizada porque, em pronunciamento na ONU, sugeriu armazenamento de vento. Pois agora isso já está sendo possível por meio de acoplamento de baterias aos parques de energia eólica e, também, de energia solar.Uma das características da energia de fonte eólica, e também da solar, é sua intermitência. Pode parar de ventar e, nesse caso, não é possível gerar energia. À noite ou em dia de chuva, não há produção de energia solar ou ela é muito baixa. À medida que cresce a proporção desse tipo de energia, fica mais difícil administrar a estabilidade do sistema. No Brasil, é cada vez mais frequente a geração momentânea superior à capacidade de consumo. Daí porque o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recorre aos cortes curtailment aplicados sobre a produção de parques de energia renovável. Em 2025, o prejuízo com esses cortes alcançou R$ 6 bilhões.O Ministério das Minas e Energia prevê para 2026 o primeiro leilão de sistemas com baterias para armazenar a eletricidade excedente de fontes renováveis Foto: Vlademir Alexandre/EstadãoPUBLICIDADEPelos levantamentos da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês) e da BloombergNEF, o serviço dessa agência de notícias sobre transição energética, os custos de armazenamento de energia caíram em torno de 75%, entre 2018 e 2025. E, pelas projeções dos especialistas, devem cair ainda mais, em cerca de 25% até 2035. Em regiões de alto potencial eólico e solar, como o Brasil, a combinação de geração de energia renovável com o estocamento por baterias já permite fornecimento contínuo de energia a custos mais baixos do que a obtida por queima de carvão, óleo combustível e gás.A mesma Irena calcula que, na Bahia, o custo de energia eólica onshore (em terra firme), com armazenamento por baterias, que hoje oscila entre US$ 84 e US$ 88 por MWh, deve cair, até 2030, para alguma coisa entre US$ 49 e US$ 75 por MWh. Enquanto isso, a geração de energia solar acoplada a baterias deve cair, no mesmo período, de US$ 65 por MWh para US$ 44 por MWh.O Ministério das Minas e Energia prevê para 2026 o primeiro leilão de sistemas com baterias para armazenar a eletricidade excedente. Entre os principais fornecedores desses dispositivos, estão Tesla, BYD, CATL, Huawei e Weg.PublicidadeNo caso de elétrica solar em residências produzida por painéis fotovoltaicos, há dois sistemas: off-grid e híbrido. No sistema off-grid, não há conexão da residência com uma distribuidora de energia elétrica, o caso de áreas isoladas. No sistema híbrido, a propriedade está ligada a uma distribuidora. Em 2024, o custo do sistema de baterias para consumidor residencial no Brasil girou em torno dos R$ 3,5 mil por kWh.A presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Bárbara Rubim, pondera que o uso de baterias no sistema residencial ainda não é sempre indicado. Depende da tarifa e do perfil de consumo. Mas, com a progressiva queda de custos, a recomendação pode ser ampliada.