Alguém ainda precisa fazer uma série de TV sobre a possibilidade de a inteligência artificial ser consciente ou não. Nos últimos meses, esse debate pegou fogo. Houve desde trocas de ofensas entre cientistas no Twitter até abaixo-assinado chamando de "pseudociência" teorias que indicam que as IAs nunca poderão ser conscientes.

Esse é um debate altamente polarizado. De um lado, há aqueles que defendem que sim, as IAs podem se tornar conscientes, se é que já não o são. Um dos grandes expoentes desse campo é Patrick Butlin, da Universidade de Oxford. Com colegas, escreveu um célebre estudo que traz uma longa lista de critérios para analisar se uma IA é consciente. Com base neles, analisou as IAs atuais e chegou a duas conclusões.

A primeira é que nenhuma IA do presente é consciente (ainda que várias atinjam vários dos critérios, mas não todos). A segunda é que não existe nenhuma barreira técnica para construir uma IA que satisfaça todos os indicadores de consciência. Em outras palavras, na visão dele, as IAs podem, sim, ter consciência. Nessa mesma linha, o pesquisador Kyle Fish (que trabalha para a Anthropic) gosta de dizer que existe hoje uma chance de 15% a 20% de que as IAs do presente tenham alguma forma de consciência.