As pegadas digitais começam muito antes de as crianças darem seus primeiros passos. Elas podem ainda estar no útero quando seus pais postam sobre elas nas redes sociais, compartilhando ultrassons com legendas como "Amor à primeira vista!".
Depois vêm as fotos do recém-nascido, espalhadas pelo Instagram poucas horas após o nascimento do bebê. O "sharenting" está em alta: uma em cada quatro crianças no Ocidente tem presença nas redes sociais antes mesmo de nascer, segundo um dado frequentemente citado.
No entanto, os pais nem sempre param por aí. Alguns transformam seus filhos em verdadeiras estrelas das redes sociais —chamados de "kidfluencers", ou influencers mirins— documentando cada marco importante (e muitos menos importantes também).
Menina atrás de um celular - Roman/Adobe Stock
Eles pegam a câmera para capturar as primeiras palavras e os primeiros passos, os problemas da dentição, as birras e o desfralde. Até os "momentos mais íntimos são transmitidos para milhões", escreve a jornalista Fortesa Latifi em um novo livro, enquanto conteúdo é criado a partir de tudo, da puberdade à menstruação.







