Onda de violência atinge o México após morte, pelo exército, de poderoso líder de cartelNemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, era o chefe de uma das redes criminosas de crescimento mais rápido no País. Crédito: Latin America News Agency/via APO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, frequentemente retrata o México como um país desastroso, dominado por cartéis de drogas e “bandidos”. Mas um ranking global de satisfação com a vida, divulgado recentemente, conta uma história diferente: os mexicanos relatam ser significativamente mais felizes do que os americanos.PUBLICIDADEO Ranking Mundial da Felicidade de 2026, coordenado pela Universidade de Oxford, é considerado o padrão ouro dos estudos globais sobre satisfação com a vida. Ele se baseia, em grande parte, em uma pesquisa do Gallup que pergunta a pessoas em 147 países o quão perto elas se sentem de viver a “melhor vida possível” em uma escala de 0 a 10.Este ano, assim como nos últimos oito anos, a Finlândia ficou em primeiro lugar como o país mais feliz, seguida pela Islândia (2º) e pela Dinamarca (3º). Mas as maiores surpresas foram Costa Rica, Israel e México, todos classificados entre os doze países mais felizes do mundo. A Costa Rica ficou em quarto lugar — a melhor posição de um país latino-americano — Israel ficou em oitavo e o México em décimo segundo.A presidente do México, Claudia Sheinbaum, participa de uma coletiva de imprensa na Cidade do México Foto: Yuri Cortez/AFPMais abaixo na lista estão os Estados Unidos (23º), Brasil (32º), Espanha (41º), Argentina (44º), Chile (50º), China (65º), Colômbia (68º), Peru (72º), Rússia (79º) e Venezuela (80º). No último lugar: Afeganistão (147º).Os países escandinavos lideram a lista quase todos os anos, graças aos altos padrões de vida, saúde e educação universais e instituições fortes. Mas há algo mais que muitas vezes passa despercebido: uma vida comunitária vibrante. Vi isso em primeira mão enquanto fazia uma reportagem na Finlândia e na Dinamarca há alguns anos para um livro sobre os países mais felizes do mundo.PublicidadeAgendar entrevistas depois das 16h era quase impossível: as pessoas estavam em clubes de cinema, aulas de culinária ou grupos de colecionadores de selos. Na Dinamarca, existem leis que obrigam escolas e repartições públicas a abrirem as suas portas a clubes sociais gratuitamente após o horário de expediente.Dinamarqueses caminham na capital Copenhagen, na Dinamarca Foto: James Brooks/AFPO governo chega a fornecer a esses clubes um pequeno estipêndio para comprar sanduíches e limpar suas salas de reunião. Na Escandinávia, a comunidade não é uma reflexão tardia — é política.Cuba e Nicarágua sequer aparecem na lista. Segundo pesquisadores que participaram do estudo, as ditaduras nesses países impediram o Gallup de realizar suas pesquisas livremente. Mariano Rojas — professor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) no México e um dos autores do estudo — me disse que a Costa Rica ocupa o quarto lugar graças a uma combinação de um estado de bem-estar social que oferece saúde e educação de qualidade e gratuitas, e o “calor humano” de seu povo.“Os costarriquenhos dizem estar muito satisfeitos com suas vidas”, disse Rojas. “Eles têm esse calor humano que vemos em outros países da América Latina, mas a Costa Rica consegue combiná-lo com um estado de bem-estar social bastante robusto.”Turistas aproveitam a praia em Jaco, na Costa Rica Foto: Luis Acosta/AFPO caso de Israel é semelhante. Apesar da guerra e do ataque terrorista do Hamas em 2023 — o massacre de judeus mais letal desde o Holocausto nazista de 1940-1945 — Israel figura entre os países mais felizes do mundo devido aos fortes laços familiares e a um senso compartilhado de propósito para sobreviver como povo, observou ele.PublicidadeQuanto ao México, acrescentou, a felicidade está enraizada na conexão humana. “Famílias extensas, as famosas festas, os encontros de vizinhança — tudo isso fomenta um senso de compartilhar a vida com os outros. Cria uma atmosfera de felicidade construída não sobre a economia, mas sobre os relacionamentos”, disse Rojas.PUBLICIDADEIsso está aumentando a ansiedade e a depressão entre os jovens, afirma o relatório. Entre pessoas com menos de 25 anos, os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália estão entre os países mais infelizes do mundo, mostra o relatório.PublicidadeMinha conclusão? Países mais ricos tendem a ser mais felizes porque, se as pessoas não têm o que comer, não podem ser felizes. Mas a prosperidade econômica não basta. Se bastasse, os Estados Unidos e a Arábia Saudita estariam no topo do ranking — e não estão. Para aumentar a felicidade, uma vida comunitária forte é essencial, como vemos em países tão diversos quanto Finlândia, Costa Rica, Israel e México. Dinheiro ajuda, mas não é suficiente.