Neil Redding: IA deve ser participante ativa dos negócios, e não só uma ferramentaO futurista diz que a tecnologia precisa fazer parte das empresas em vez de ser usada como um mero acessório. Gerando resumoEmbora as vendas de carros elétricos no Brasil estejam em constante alta - segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), nos quatro primeiros meses de 2026 foram emplacados 48.514 veículos -, João Irineu Medeiros, vice-presidente de assuntos regulatórios da Stellantis, diz que a transição da indústria automotiva para a eletrificação precisa ser feita “de forma equilibrada econômica e socialmente”. Junto com Cadu Souza, CEO da Whoosh no Brasil, ele participou do painel Eletrificação em Escala: Desafio ou Oportunidade moderado por Willian Rigon, da Plataforma Connected Smart Cities.Painel debateu os caminhos e desafios da eletrificação nos transportes Foto: Felipe Iruatã/EstadãoPUBLICIDADEO debate foi realizado nesta quinta-feira, 14, durante o São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta, 15.Segundo o executivo da Stellantis, existe uma cadeia produtiva construída ao longo de décadas que não pode ser desprezada. “Os ferramentais foram projetos para uma determinada configuração de tecnologia”, diz Medeiros. “As pessoas foram treinadas nessa tecnologia. Virar a chave da combustão para os elétricos seria jogar fora o que foi construído nos últimos anos”, pondera.PublicidadeClaro que a Stellantis, grupo que reúne várias marcas como Fiat, Abarth, Citroën, Peugeot, Jeep, entre outras, não ignora a eletrificação. A empresa, inclusive, pretende investir R$ 32 bilhões no Brasil em diversos modelos de veículos até 2031. Mesmo assim, a preocupação do executivo é “não gerar uma disrupção na nossa cadeia”.Segundo Medeiros, “é possível fazer programas de construção graduais relacionados à eletrificação”. Para isso, ele cita que desde 2012 junto com o poder público foram estipuladas metas de eficiência energética e redução de emissões para veículos leves e pesados. Um deles é Inovar-Auto (que vigorou de 2013 a 2017) e o Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), que nasceu com o objetivo de reduzir os níveis de emissão de poluentes por veículos automotores para atender aos padrões de qualidade do ar.‘Trazer a academia de volta’Ele lembra ainda que acelerar a eletrificação não tem sido fácil também em outros lugares. Como exemplo, ele cita a Europa. “Atualmente, 50% dos veículos que lá circulam são elétricos. A meta seria chegar a 100% da frota em 2035. No entanto, essa meta está sendo reavaliada”, diz. Com relação às metas de descarbonização, o executivo da Stellantis lembra que o Brasil tem o etanol. “Cerca de 35% da frota circulante brasileira de 45 milhões de veículos de passeio está rodando a etanol”, explica. PublicidadeEm sua fala, o executivo reforçou ainda a importância de que o setor público e o privado se unam para investir na produção de baterias, item essencial para produção de veículos elétricos no País. Por fim, João Irineu Medeiros disse que a transição para a eletrificação precisa envolver também a academia. “Precisamos trazer de volta estudantes de engenharia para atuar nessa transição de tecnologia. É muito importante colocar a academia na mesma velocidade que o setor industrial para promover esse salto tecnológico”, ressaltou.Patinete elétrico para a última milhaSegundo Cadu Souza, CEO da Whoosh no Brasil, a empresa oferece patinetes elétricos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. PUBLICIDADE“A essência do nosso negócio é oferecer uma forma de micromobilidade sustentável que permita ao usuário reduzir o tempo no trânsito, reduzir o estresse em seus deslocamento e poder ficar mais tempo em casa com a família”, diz Cadu Souza. O foco, segundo ele, são os deslocamentos da última milha (last mile, em inglês). “Ou seja, após sair de uma estação de metrô, por exemplo, o usuário embarca em um de nossos patinetes elétricos até o escritório”, explica.Em São Paulo a empresa, que está no Brasil há três anos, disponibiliza 8 mil patinetes elétricos. “Muito pouco, por exemplo, perto de Moscou, que tem 120 mil”, finaliza.